S&P diz que BCP ainda tem espaço para absorver maiores perdas de crédito

A agência alerta no entanto que uma “deterioração adicional e mais acentuada das condições económicas e operacionais do que atualmente prevemos para Portugal (que representa cerca de 68% da carteira de crédito do BCP); uma deterioração significativa da qualidade do crédito do BCP; ou riscos de litígio piores do que o previsto na Polónia” podem levá-la a baixar o ‘rating’ do BCP.

Cristina Bernardo

A agência Standard & Poor’s Global Ratings disse esta terça-feira, numa nota, que espera que o Banco Comercial Português (BCP) seja apenas modestamente afetado pelas provisões constituídas pela sua subsidiária polaca, que detém a 50,1%, o Bank Millennium.

O Bank Millennium deverá registar prejuízos no quarto trimestre de 2020, na sequência da sua decisão de aumentar as provisões para riscos legais nos seus contratos de empréstimos hipotecários indexados a moeda estrangeira (predominantemente em francos suíços).

A administração da instituição financeira polaca decidiu constituir uma provisão de 379,6 milhões de zlótis (83,5 milhões de euros) no quatro trimestre, devido aos “riscos legais relacionados com os créditos concedidos em moeda estrangeira”.

“De acordo com os nossos cálculos, o esforço de provisionamento adicional afetará apenas ligeiramente o rácio de capital ajustado ao risco (RAC) do BCP, em cerca de 5 pontos base (bps)”, estima a S&P. Assim, “continuamos a esperar que o BCP mantenha uma capitalização modesta para os riscos que suporta durante os próximos 12-18 meses, com o seu rácio RAC a situar-se em cerca de 6,5% a 7%, em comparação com os 6,96% registados no final de 2019”, adianta a agência.

No atual nível de rating, “e conforme indicado pelo outlook estável do BCP, acreditamos que o banco ainda tem espaço para absorver perdas de crédito um pouco maiores”, assegura a S&P.

A agência alerta no entanto que uma “deterioração adicional e mais acentuada das condições económicas e operacionais do que atualmente prevemos para Portugal (que representa cerca de 68% da carteira de crédito do BCP); uma deterioração significativa do desempenho do crédito do BCP; ou riscos de litígio piores do que o previsto na Polónia” podem levar a S&P a baixar o rating do BCP.

“As nossas projeções ainda levam em consideração as elevadas necessidades de provisões ao longo deste ano, da ordem de 120 bps. Apesar disso, acreditamos que o BCP continuará a ter lucro em 2021, como esperamos para 2020, com o seu Return on Equiy a rondar os 3% no final de 2021”, prevê a agência de rating.

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Devido a este nível de provisões, e “apesar do sólido desempenho operacional”, o Banco espera um resultado líquido negativo no quarto trimestre de 2020, ainda que positivo para o global do ano 2020.
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