Standard & Poor’s baixa ‘outlook’ do BBVA por causa da subsidiária na Turquia

A agência de notação financeira norte-americana justifica a revisão da perspectiva sobre o banco espanhol com “as condições agravantes” no país liderado por Recep Tayyip Erdogan. “Esperamos que o Garanti assista a um aumento significativo nos NPLs, pois a contínua depreciação da lira turca está a enfraquecer a capacidade dos mutuários turcos de honrar a sua dívida em moeda estrangeira”, refere a S&P.

A Standard & Poor’s (S&P) baixou esta segunda-feira o outlook do Banco Bilbao Vizcaya Argentaria (BBVA) de “estável” para “negativo” devido à desvalorização da lira turca e às condições de agravamento que a economia da Turquia atravessa. O banco espanhol, que detém 49,85% do turco Garanti, pode ter menos capacidade de “fortalecer o seu capital e de melhorar a qualidade dos seus ativos” devido aos “elevados riscos na Turquia”, na opinião dos analistas da agência de notação financeira norte-americana.

A S&P confirmou ainda os ratings de crédito de emissor de longo prazo ‘A-‘ e de curto prazo ‘A-2’, bem como o “counterparty rating” de ‘A / A-1’ e lembrou que reviu em baixa o rating do Garanti no passado dia 17, de ‘B +’ de ‘BB-‘. A revisão em baixa surge depois de o jornal espanhol “El Economista” ter noticiado, na semana passada, que com o tombo da lira e as oscilações da divisa de Ancara a entidade bancária madrilena poderia perder cerca de 400 milhões de euros.

“A junho de 2018, o Garanti representava pouco mais de 10% dos ativos do grupo BBVA, 13% dos empréstimos e cerca de 14% do lucro líquido. Também tinha um rácio nonperforming loans (NPLs) a cerca de 4,5% nessa data. No entanto, esperamos que o Garanti assista a um aumento significativo nos NPLs, pois a contínua depreciação da lira turca está a enfraquecer a capacidade dos mutuários turcos de honrar a sua dívida em moeda estrangeira e provavelmente resultará num aumento significativo nos empréstimos reestruturados em todos os bancos turcos”, explica a mesma agência, em comunicado.

Porém, a S&P recorda também que o BBVA tem um histórico positivo “em condições adversas de mercado” em várias regiões nas quais opera e que essa diversificação geográfica tem provado “ser eficaz durante as dificuldades recentes no seu mercado interno, permitindo-lhe continuar a apresentar lucros operacionais bastante sólidos e resilientes”.

Em fevereiro do ano passado, o BBVA reforçou a sua participação no banco turco através de uma aquisição de 9,95% do capital da Garanti – detendo atualmente um total de 49,85% -, cerca de dois meses depois tremeu com o resultado do referendo constitucional que deu a Erdogan ainda mais poder no governo.

Na bolsa de Madrid, as ações do BBVA encerraram com uma queda de 0,44%, para 5,4176 euros.

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