Subsídios do governo de Cabo Verde serão só para casas nas periferias, alerta IFH

Em entrevista RTP África, José Miguel Martins disse o apoio do governo “não afetará em nada as casas vendidas” e nem as que estão  em “processo de venda”, que são, neste momento, de 500 habitações que fazem parte dos empreendimentos dentro dos centros urbanos.

O presidente do conselho de administração da Imobiliária, Fundiária e Habitat (IFH) esclareceu  que o subsídio anunciado pelo governo cabo-verdiano para compra de imóveis do projeto “Casa para Todos” será apenas para aqueles que se situam na periferia.

Em entrevista RTP África, José Miguel Martins disse o apoio do governo “não afetará em nada as casas vendidas” e nem as que estão  em “processo de venda”, que são, neste momento, de 500 habitações que fazem parte dos empreendimentos dentro dos centros urbanos, como os do Palmarejo Grande, Espargos,  e outros situados nas ilhas  de São Vicente e Santo Antão.

“O que nós pensámos é que o subsídio não se aplica em relação as casas que estão em processo de venda ou que já foram vendidas. Será para as casas que vão entrar em processo de venda ao longo de 2020. É um processo que terá de estar no Orçamento de Estado do próximo ano e que deverá abranger as casas construídas nas periferias: Vila Vitória, Vila Acácia, eventualmente, Vila Monte, que estão situadas nas localidades de Achada Limpo, Palha Sé, Ribeira Julião 2, Vila Amarante e outras, localizadas em zonas um pouco afastadas dos centros urbanos”, explicou.

A ministra das Infraestruturas e da Habitação de Cabo Verde, Eunice Silva, anunciou, na passada quarta-feira, que governo pode vir a subsidiar a compra das casas para baixar o preço e permitir a imobiliária IFH vender à volta de 2 mil casas da classe B e C que não estão ser vendidas devido ao preço e a localização.

A decisão tomada pelo executivo baseou-se em dados que provam que apenas 15% da população cabo-verdiana consegue comprar uma habitação que custa cerca de 25 mil euros, preço mais baixo do mercado, quando a IFH tem os apartamentos por volta dos 45 mil euros.

Lançado em 2010 pelo anterior governo do PAICV, hoje na oposição,  para reduzir o défice habitacional  em Cabo Verde,  o  projeto “Casa Para Todos” tem conhecido momentos de grandes sobressaltos, sobretudo devido a dívida contraída junto a Caixa Geral de Depósitos em Portugal  no valor de 200 milhões de euros que hoje representa 15%  PIB do país.

O ‘chairman’ da IFH, José Miguel Martins, refere que das 8 mil habitações anunciadas passaram para 6 mil e que a sua equipa  recebeu 5 mil e 700 casas, passou às câmaras municipais 2. 242 e ficou com  2.4 58.

O processo de comercialização das habitações do “Casa Para Todos” já passou para várias fases. Inicialmente a ideia era vender as casas de classe B e  C para financiar as da classe  A,  construídas para pessoas carenciadas que pagavam por arrendamento, modelo que não funcionou, passou-se por vendas totalmente a prestações a conclusão é que este modelo também não serve.

“Não garantia a sustentabilidade da empresa, mesmo que as pessoas paguem a 100% todas as prestações não chegava a 60% do que é necessário para cumprir o serviço da dívida existente. O serviço da dívida são 850 mil contos por ano, mesmo que todos pagassem não chegaríamos a 550 mil contos e tanto a IHF como governo ficariam numa situação muito periclitante”, adiantou José Miguel Martins.

Neste momento, o sistema de venda praticado é a pronto pagamento, mas a IFH tem agora mais de duas mil casas que está a ter dificuldades em vender devido a localização e o baixo poder de comprar das pessoas a quem estavam direcionadas. No entanto, as habitações bem localizadas seguem o ritmo normal de venda e é graças a isso que a IFH tem conseguido garantir a sua sustentabilidade. “Com o ritmo de venda que tem conseguido a IHF garante a sua sustentabilidade financeira, paga todos os seus compromissos de forma autónoma sem recorrer a ajuda do governo”, refere José Miguel Martins.

Na mesma entrevista, o presidente do conselho de administração da IHF diz estar ciente de que o novo de lote de casas que vai entrar para o seu ‘stock’ de venda, cerca de 1.600, não terá o mesmo ritmo de venda que tem tido,  até agora, uma vez que são casas situadas em zonas petrificas dos centros urbanos.

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