Tancos: comissão de inquérito vai ouvir 69 pessoas e entidades até maio de 2019

Todos os requerimentos foram aprovados por unanimidade pelos partidos, à exceção da lista de personalidades apresentadas pelo PS, dado que os partidos da oposição, PSD e CDS-PP, queriam que ficasse em aberto a possibilidade de António Costa poder depor presencialmente.

A comissão parlamentar de inquérito ao furto de material militar dos paióis de Tancos vai ouvir, até maio de 2019, 63 personalidades e entidades, incluindo o depoimento, por escrito, do primeiro-ministro, António Costa.

Todos os requerimentos foram aprovados por unanimidade pelos partidos, à exceção da lista de personalidades apresentadas pelo PS, dado que os partidos da oposição, PSD e CDS-PP, queriam que ficasse em aberto a possibilidade de António Costa poder depor presencialmente.

Ascenso Simões, do PS, argumentou com a prática seguida em anteriores comissões de inquérito, mas tanto o CDS como o PSD insistiram que ficasse em aberto, dado que o regime jurídico dos inquéritos parlamentares menciona a opção de depor por escrito.

“O PS não fez mais nem menos do que em circunstâncias anteriores”, afirmou Ascenso.

“Se o PM quiser depor presencialmente nós vamos impedi-lo?”, questionou Carlos Peixoto, do PSD.

“Pode ser do interesse do primeiro-ministro, duvido que o faça”, depor presencialmente na comissão, argumentou Telmo Correia, do CDS, que acrescentou: “É uma prerrogativa dele, não nossa”.

Depois de um período de debate, por vezes acalorado, foi-se a votos e o requerimento do PS com a lista de personalidades a ouvir foi aprovado com a abstenção do PSD e do CDS.

O deputado socialista alertou que, com uma lista de 63 personalidades e entidades a ouvir, se tente acelerar os trabalhos de audição, a começar pelos militares, desde os comandos operacionais da base de Tancos, de onde foi furtado o material militar, em junho de 2017, seguindo-se os comandantes e de seguida os chefes militares, incluindo o ex-Chefe do Estado-Maior do Exército Rovisco Duarte, que se demitiu na sequência do caso que também levou à substituição do ministro da Defesa, Azeredo Lopes.

A programação dos trabalhos será feita nos próximos dias numa reunião da mesa da comissão de inquérito e dos coordenadores dos partidos.

A comissão de inquérito tem o prazo de 180 dias, até maio de 2019, prorrogável por mais 90, para chegar a conclusões.

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