Tancos: PSD diz que persistem “dúvidas e suspeitas” que colocam em causa confiança em António Costa

O líder parlamentar do PSD, Fernando Negrão, considera que a encenação do roubo de armas em Tancos é um “caso político” que precisa de um “esclarecimento urgente” para normalizar o funcionamento das instituições.

O líder parlamentar do Partido Social Democrata (PSD), Fernando Negrão, afirmou esta quarta-feira que persistem “dúvidas e suspeitas” que colocam em causa confiança no primeiro-ministro, António Costa. Fernando Negrão considera que a encenação do roubo de armas em Tancos é um “caso político” que precisa de um “esclarecimento urgente” para normalizar o funcionamento das instituições.

“É da política querer saber se um primeiro-ministro, que quer voltar a ser primeiro-ministro, merece a confiança dos portugueses, principalmente quando há dúvidas e suspeitas que nunca foram esclarecidas”, afirmou Fernando Negrão, na reunião da Comissão Permanente sobre o caso de Tancos.

A bancada parlamentar do PSD quer saber de que forma António Costa avalia a atuação do anterior ministro da Defesa, José Alberto Azeredo Lopes, e o que soube e sabe sobre o desaparecimento e posterior aparecimento das armas dos paióis de Tancos. “É de política e só de política que aqui falaremos”, afirmou Fernando Negrão.

Fernando Negrão disse ainda que não está em causa a judicialização da justiça com este debate, mas sim esclarecer “dúvidas e suspeitas” que até agora não tiveram resposta. “Se [António Costa] sabia [da encenação do aparecimento de armas roubadas em Tancos] e nada fez foi conivente. Se não sabia, algo de estranho se passa no Governo”, sublinhou.

“No plano estritamente político, esta é a dúvida política: a necessidade de esclarecimento urgente de modo a normalizar o funcionamento das instituições e sossegar as preocupações dos cidadãos”, indicou, garantindo que “o PSD não calará os assuntos que entende que deve debater”.

O PSD pediu ao presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues, esta reunião “com caráter de urgência” para debater o caso Tancos em Comissão Permanente, invocando uma “suspeita da conivência do primeiro-ministro”.

No requerimento dirigido a Eduardo Ferro Rodrigues, o PSD defendia que a acusação do Ministério Público no processo de Tancos “afeta diretamente um ex-membro do atual Governo, pondo a nu a existência de condutas extremamente graves no exercício dessas funções políticas que colidem com o compromisso assumido perante todos os portugueses de exercer com lealdade as funções que lhe foram confiadas”.

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