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Tarifas de Donald Trump afetam especialmente a Ásia

Multiplicam-se os researchs sobre o ‘dia da libertação’ e todos eles são unânimes em afirmar que a economia dos Estados Unidos será uma das mais afetadas pelas medidas.
Trump
FILE PHOTO: Former U.S. President Donald Trump speaks to an audience at the “American Freedom Tour” event in Memphis, Tennessee, U.S., June 18, 2022. REUTERS/Karen Pulfer Focht/File Photo
3 Abril 2025, 11h34

Os anúncios do ‘Dia da Libertação’ do presidente norte-americano Donald Trump “atingiram o extremo negativo das expetativas do mercado, com a taxa média dos direitos aduaneiros a subir para mais de 20%, contra apenas 2,5% antes da tomada de posse de Trump, o nível mais elevado desde o início do século XX”.

Num novo research sobre a matéria, a consultora Ebury refere que os países asiáticos foram os mais afetados, com alguns a serem alvo de tarifas recíprocas punitivas superiores a 40% e a China a ser atingida com uma enorme taxa de 34% para além dos 20% já impostos desde o início do segundo mandato de Trump. “Do outro lado do espetro estão o Reino Unido e os principais países latino-americanos, que foram afetados com uma taxa máxima de 10%, com a UE no meio, com 20%”.

“O contraste entre vencedores e vencidos é evidente no mercado cambial, onde a maioria das moedas asiáticas, nomeadamente o baht tailandês, o yuan chinês e o ringgit malaio, sofreram um ‘sold off’ contra os seus pares”, refere Roman Ziruk – Senior Market Analyst na Ebury. Há uma exceção notável: o iene japonês. Apesar de uma tarifa recíproca de 24% imposta ao Japão, “o iene está a emergir como um porto seguro de eleição numa altura de maior incerteza comercial global e de preocupações económicas crescentes”.

“A forte venda no mercado de ações dos EUA e a fraqueza do dólar americano, que, de forma algo contraintuitiva, caiu cerca de 1% em relação aos principais pares, podem ser vistas como um voto de não-confiança do mercado nas políticas comerciais de Trump. Para além de prejudicarem os seus parceiros comerciais, as tarifas deverão fazer subir os preços e travar a atividade económica nos EUA”.

“Embora seja claro que estamos a assistir a um momento histórico de rutura dos EUA com a velha ordem, reconhecemos que, a menos que os países retaliem, estas tarifas recíprocas, frequentemente muito elevadas, são consideradas um limite máximo e estão sujeitas a negociação”. Com o início das taxas mais penalizadoras previsto para 9 de abril, os investidores podem esperar a sua diluição ou adiamento. A atenção está agora centrada na forma como os países irão reagir a este choque de Trump e quaisquer notícias que sugiram negociações ou retaliações são suscetíveis de aumentar a volatilidade do mercado.

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