Rogério Carapuça: Falta de capital constitui entrave à reindustrialização de Portugal

Para combater essa falta de capacidade financeira, o presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações, Rogério Carapuça, apela à implementação de políticas que permitam captar mais investimento estrangeiro.

Cristina Bernardo

O presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento das Comunicações (APDC) alertou esta terça-feira para falta de capital em Portugal, o que deveria levar à implementação de políticas que facilitem a captação de investimento estrangeiro.

“Temos de ter esse capital estrangeiro como um aliado do nosso desenvolvimento, da nossa recuperação económica e da nossa reindustrialização. Isso inclui ter práticas amigas desse capital. Há que o fazer de uma forma sistemática, que não dependa dos governos, afirmou o presidente da APDC, Rogério Carapuça, na sessão “A Step Into the Future”, promovida pelo Jornal Económico e pela Huawei.

“Temos poucas pessoas e empresas com dinheiro e poucos grupos económicos fortes”, advertiu. “Vai haver países periféricos numa nova ordem geoestratégica mundial: aqueles que não têm acesso ao capital, não têm infraestruturas de qualidade, não tem populações qualificadas e acesso ao conhecimento e um ecossistema de inovação forte”, explicou. Para combater essa falta de capacidade financeira, Rogério Carapuça apela ao reforço do sistema científico e tecnológico e da qualificação.

Sobre a digitalização motivada pela pandemia, o presidente da APDC diz que se tornou evidente que a sobrevivência de alguns negócios e a comunicação entre as pessoas dependia de meios digitais: “Nada será como era em janeiro”, garantiu.

O mesmo se passa na ciência. Segundo a presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), essa transformação digital acelerada, a que assistimos durante o confinamento, demonstrou sobretudo dois aspetos: que Portugal tinha os conhecimentos e as ferramentas básicas para a fazer e que as pessoas e as organizações estavam capacitadas, mesmo que ainda não se tivessem apercebido disso.

“Temos de garantir que existe conhecimento, mas também que há condições para aplicar esse conhecimento. É aqui que entra a inovação, a ligação às empresas, ao tecido social, etc. Vamos encarar esta pandemia, dentro de todos os aspetos negativos que trouxe, para nos obrigar, globalmente, os conhecimentos existentes”, disse Helena Pereira.

Na web talk, a dirigente da FCT falou ainda da importância de captar e reter cientistas e manter a investigação inclusive nestas situações de urgência. “É importante que haja uma continuidade, ao longo do tempo, da investigação científica, porque é essa continuidade que, no meu entender, dá depois estes trunfos de poder aplicar rapidamente os conhecimentos”, explicou Helena Pereira. “A ciência precisa de tempo”, sublinhou.

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