Paulo Rangel quer ver o turismo português valorizar-se e tirar partido do contexto geopolítico mundial, quando comparado com o que se vive no país. “Olhando para os nossos políticos, diria que Portugal é uma espécie de santuário para se viver e temos que aproveitar esta conjuntura para sermos muito exigentes no nosso turismo”, referiu na sua intervenção no congresso da Associação de Hotelaria de Portugal (AHP), que decorre até esta sexta-feira, na Alfândega do Porto.
O Ministro dos Negócios Estrangeiros defendeu que esta exigência diz respeito ao facto de Portugal ter dado as condições aos operadores para poderem trabalhar, mas também para o país ser mais seletivo no sentido de reforçar a componente de valor acrescentado para todos.
“Porque no meio desta crise, isto é uma oportunidade. Permite-nos estruturar que é uma coisa que julgo que o setor do turismo tem feito de forma muito competente ao longo das últimas décadas e está cada vez mais consciente disso, que é ser capaz de tornar este um setor não apenas massificado, mas de valor acrescentado”, afirmou.
O governante quer trazer para Portugal as elites mundiais, não no sentido dos líderes políticos, mas de pessoas que têm poder aquisitivo e que têm influência.
“Para mim, enquanto Ministro dos Negócios Estrangeiros é o valor diplomático do turismo para nós, a imagem com que as pessoas são vistas que conta. Se as pessoas vêm cá passar férias, um fim de semana, ou vêm cá a um evento e saem daqui com uma impressão positiva dos serviços formais. Isto é um ativo enorme”, salientou.
Para Paulo Rangel Portugal é hoje um país, muito respeitado, porque respeita todos e fala com todos. “Tem uma espécie de sorte e um poder suave que lhe permite, não ser visto como uma ameaça”, sublinhou, alertando para uma comunicação global através das redes sociais, como um dos fatores que é preciso ter em atenção.
“Hoje é preciso estar atento a todos, mesmo aqueles que nos parecem que não vão desencadear nada. Temos aqui a capacidade de fazer valer Portugal como um país acolhedor, que está longe dos conflitos e que tem uma enorme capacidade de relacionamento com todos os países, que não é nem inimigo nem adversário de ninguém e nesse aspeto cria condições para se poder estar aqui com uma grande tranquilidade”, concluiu.
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