“Teremos que aprender a pensar de forma diferente e sentirmo-nos à vontade em arriscar”, revela ‘headhunter’ portuguesa

“Seja qual for a fase em que nos encontramos e o percurso que já percorremos, tudo pode valer a pena para corrigir e otimizar, poderemos atingir os nossos objetivos de formas muito diferentes”, refere Maria da Glória Ribeiro em entrevista ao Jornal Económico.

A autora e managing partner da multinacional Amrop, Maria da Glória Ribeiro, é uma das mais reconhecidas headhunters do país, e agora lançou um novo livro que retrata o que as empresas mais procuram: ‘Pessoas com Talento, como nós’.

O mercado de trabalho alterou-se, com muitos cidadãos a ficarem desempregados devido à crise pandémica da Covid-19, e com o teletrabalho a instalar-se de forma profunda na vida diária dos portugueses, mudando o paradigma do que é trabalhar remotamente. No novo livro, Maria da Glória Ribeiro ajuda os leitores a identificarem e a potenciarem os seus talentos, com recurso a ferramentas práticas que permitem uma diferenciação dos restantes candidatos.

Em entrevista ao Jornal Económico, a autora aponta que a pandemia foi um dos principais responsáveis por mudanças no mercado laboral, sendo necessário arriscar no contexto atual.

A pandemia levou a uma alteração profunda no mercado de trabalho. Poderá esta ser a altura certa para arriscar numa decisão que estava colocada em stand-by?

A atual pandemia foi o catalisador das mudanças que já estavam em curso no mundo de trabalho. É inegável que a humanidade está a entrar num período de profundas e rápidas transformações. E, se queremos realmente criar uma era abundante, teremos que aprender a pensar de forma diferente/disruptiva e sentirmo-nos à vontade em arriscar e aprender com os nossos erros.

A rápida transformação digital vai obrigar os líderes a compreender que o futuro começa hoje e não é adiável, impulsionando-os a desenvolver e aplicar a tecnologia para resolver os grandes desafios da Humanidade. Tenho a convicção que as pessoas devem reinventar-se e começar já a pensar no futuro, é necessário que compreendam que parte das suas competências profissionais são humanas, emocionar, intuitivas e que estas estão mais longe de ser substituídas pela Inteligência Artificial e Digitalização.

Quais são os dez pilares que os cidadãos devem considerar para ter uma carreira de sonho?

Não se podem definir dez pilares que sejam comuns a todas as pessoas, cada um de nós é influenciado por um variadíssimo conjunto de circunstâncias. Desde as condições macroeconómicas do momento até à mudança do tipo de profissão ou do modelo da indústria em que estamos inseridos, passando pelas circunstâncias de ordem mais emocional ou familiar.

Há uma resposta para cada pessoa. Depende de termos ainda muito tempo à nossa frente ou não; depende das nossas capacidades e de quão longe nos sentimos do nosso objetivo; e sobretudo depende da nossa individualidade. Por isso não há exemplos a dar, como se de receitas se tratasse. Tudo depende da fase em que estamos no nosso percurso, das ferramentas que temos (talento, preparação universitária e profissional) e da capacidade e vontade de aprendizagem e de mudança.

É possível potenciar o talento no mercado atual?

É sempre possível desenvolver e potenciar o talento, são muito mais frequentes as características de perfil capazes de serem melhoradas do que as que dificilmente se alteram ou ultrapassam. E há que fazer esse trabalho: desenvolver e melhorar as nossas características de perfil, os nossos talentos, para que nos possam ser úteis, o mais possível.

Há uma correlação, quase sempre direta, entre talento e capacidade de concretização de determinada tarefa ou empreendimento. Sento o talento um dom (uma habilidade) para alguma atividade intelectual, artística, física ou sensorial, é com certeza também objeto de possibilidade de desenvolvimento. Se potenciado de forma adequada, na correlação da dificuldade que nos propomos atingir, então estaremos muito mais preparados para atingir determinado resultado.

Como surgiu a ideia de escrever o ‘Pessoas com Talento’?

Este livro foi escrito como resultado de um desafio, uma espécie de proposta que mais uma vez me foi lançada. E eu aceitei, na tentativa de partilhar um pouco mais da minha experiência profissional, do que aprendi nos diferentes processos em que me envolvi, do apoio que dou às diferente organizações empresariais com que trabalho na contratação e otimização dos seus quadros, com as pessoas de vários campos profissionais que conheci e com quem me cruzei ao longo deste meu caminho como consultora de Executive Search.

É possível perseguirmos uma carreira de sonho quando já entrámos no mercado de trabalho?

Claro que sim. Seja qual for a fase em que nos encontramos e o percurso que já percorremos, tudo pode valer a pena corrigir e otimizar, poderemos atingir os nossos objetivos de formas muito diferentes; tudo depende do que já somos e do que quereremos vir a ser. O importante é estarmos sempre abertos à mudança.

Temos de ser capazes de aproveitar todas as nossas potencialidade e, mais do que isso, ser capazes de as desenvolver.

Um conselho importante a dar a quem esteja a pensar dar o passo para o seu sonho?

Tenacidade, afinco, determinação, resiliência e auto-motivação são provavelmente as melhores ferramentas para conseguirmos chegar à meta que traçámos.

Como sempre acontece na execução de qualquer tarefa, há que fazer um plano de ação, mas é claro que, antes de mais, temos de saber para onde queremos ir. O que queremos atingir. Que meios temos ao nosso alcance. Só a partir daí poderemos elaborar um plano de ação e melhorar aquilo que sabemos que é insuficiente para a concretização dos nossos objetivos como pessoas, seres sociais e profissionais. Ou seja, não podemos simplesmente deixar que a vida nos leve.

Conquistar a diferenciação da nossa existência é um passo fundamental para atingir a perceção de sucesso e, muitas vezes, o próprio sucesso.

Para isso ser possível, torna-se fundamental conseguirmos pensar por nós próprios, termos um pensamento único. A partir daí, encontramos sempre um sítio na sociedade que nos será mais adequado, mais à medida da nossa personalidade e, portanto, daquilo que melhor se adapta à nossa maneira de ser.

Desta forma, o papel que queremos ter na sociedade, bem como as nossas ambições e aspirações terão muito mais hipóteses de ser atingidos.

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