Theresa May crítica Boris Johnson e Donald Trump

“Temos escorregado para o extremismo nas relações internacionais: se não é 100% a meu favor, deve estar 100% contra mim”, disse Theresa May sublinhando que com Johnson o “compromisso é visto como um palavrão”. 

Stefan Wermuth/REUTERS

Theresa May acusou Boris Johnson de abandonar a “posição de liderança global” do Reino Unido, esta quarta-feira. Na mesma ocasião, a antiga primeira-ministra britânica criticou também Donald Trump.

Sobre a atuação do atual primeiro-ministro, Theresa May defendeu que “voltar atrás num tratado acabado de assinar” e o abandono da “posição de liderança global” quanto ao cumprimento das metas “de gastos de defesa de 2% e de ajuda internacional de 0,7% não foram ações que aumentaram a nossa credibilidade aos olhos do mundo ”.

Segundo o “The Guardian”, Theresa May frisou que Johnson que precisava viver de acordo com “valores britânicos” para ter quaisquer aspirações em criar um verdadeiro “Reino Unido Global”.

“Temos escorregado para o extremismo nas relações internacionais: se não é 100% a meu favor, deve estar 100% contra mim”, disse Theresa May sublinhando que com Johnson o “compromisso é visto como um palavrão”.

Para Theresa May, o Reino Unido deve “rejeitar cenários em que alguns homens fortes se enfrentam”.  Em alternativa, a antiga governante do Reino Unido defende que se devem unir “as pessoas em uma causa comum”.

As críticas não se ficaram por aqui e Theresa May abordou também a invasão ao Capitólio e a atuação de Donald Trump. A anterior primeira-ministra comparou o ataque ao Capitólio dos Estados Unidos a “ataques às próprias instituições democráticas” do Reino Unido, como o assassinato do polícia britânico Keith Palmer, que morreu durante o ataque terrorista de Westminster em 2017.

Quanto a Donald Trump, May condenou-o por ter “instigado” uma multidão violenta e descreveu a eleição de Joe Biden enquanto presidente eleito dos EUA como  “decente”. Theresa May considerou a nomeação de Biden como sendo uma  “oportunidade de ouro” para o Reino Unido voltar a tornar-se uma força de bem no mundo.

“O que aconteceu em Washington não foi o ato de um extremista solitário ou de uma seita secreta, mas um ataque de uma multidão partidária instigada por um presidente. Sei por experiência própria que deixar o poder não é fácil, especialmente quando que há mais coisas que desejaríamos fazer”, destacou Theresa May.

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