Tomada de posse de Joe Biden: 23 minutos de apelo à unidade

Num discurso praticamente monotemático, o novo presidente dos Estados Unidos afirmou saber as causas da fratura em que o país vive e pediu a todos que se lhe juntem para salvar a democracia. Trump, o assalto ao Capitólio e a Covid-19 foram os temas omnipresentes.

“Unidade… unidade”, pediu o novo presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, no discurso de tomada de posse. Biden falava à frente da ala ocidental do Capitólio – ao contrário do costume, precisamente para marcar a resistência do regime democrata: foi por esse lado que os apoiantes de Donald Trump tentaram tomar o edifício a 6 de janeiro passado. E o termo Unidade foi repetido até à exaustão ao longo de um discurso de 23 minutos – termo esse que cruzou com a ideia central da intervenção: os Estados Unidos estão profundamente divididos e é obrigação de todos fazer com que isso seja profundamente alterado.

“Ficámos a saber que a democracia é frágil, mas a democracia venceu – neste terreno em que há poucos dias a democracia esteve em causa”, disse Biden, para se referir diretamente ao assalto ao Capitólio pelos bandos de apoiantes de Donald Trump, personagem que esteve sempre por trás das palavras do novo presidente.

Biden preocupou-se de colocar uma espécie de fim a uma era que caraterizou como de crispação e mentida, na tentativa de promover uma nova era, que quer de paz e de solidariedade entre todos. “A América depende de todos, é uma grande nação, somos boas pessoas. Temos muito que fazer, há muito a sarar, muito a construir”, disse, para enfatizar que “poucas pessoas encontraram tempos mais difíceis”, desde logo pela presença do vírus, “que matou mais americanos que a II Guerra Mundial”. Biden acabaria mesmo por pedir um minuto de silêncio em memória das cerca de 400 vítimas que a covid-19 já enterrou nos Estados Unidos.

O novo presidente fez ainda que um “apelo à sobrevivência” dos grandes desígnios da nação, contra “o terrorismo doméstico, a supremacia branca”. “É preciso mais que palavras, é preciso a coisa mais lúcida da democracia: unidade… unidade”.

Unir o país foi, por isso, o tema central – talvez verdadeiramente o único tema do discurso de tomada de posse de Joe Biden como o 46º presidente dos Estados Unidos.

Mesmo assim, Biden não quis acabar sem deixar uma palavra para fora das fronteiras do país: “O mundo está a ver-nos e esta é a minha mensagem: a América foi testada e surgiremos mais fortes não para responder aos desafios de ontem, mas aos de hoje e aos de amanhã. Iremos liderar pela força do nosso exemplo. Seremos um parceiro confiável para a paz e a segurança”.

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