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TotalEnergies apoia projetos em Cabo Delgado com 8,4 milhões

A multinacional francesa quer que as comunidades de Palma e de Mocímboa da Praia possam continuar a beneficiar das oportunidades criadas pelo Projecto Mozambique GNL, operado pela TotalEnergies, que, no entanto, está suspenso há quatro anos devido aos ataques terroristas.
TotalEnergies
2 Setembro 2025, 17h09

A TotalEnergies vai disponibilizar 10 milhões de dólares (8,4 milhões de euros) para projetos de desenvolvimento na província moçambicana de Cabo Delgado, assolada por ataques extremistas, através da Agência de Desenvolvimento Integrado do Norte (ADIN), foi hoje anunciado.

“Queremos contribuir, através da ADIN, para os esforços do Governo na estabilização da vida e bem-estar das comunidades. A assinatura deste memorando com a ADIN marca a nossa vontade de reforçar e alargar o trabalho em curso, através de uma estratégia mais global”, disse o representante da TotalEnergies em Moçambique, Maxime Rabilloud, citado hoje num comunicado da ADIN.

De acordo com o representante, a multinacional francesa quer que as comunidades de Palma e de Mocímboa da Praia possam continuar a beneficiar das oportunidades criadas pelo Projecto Mozambique GNL, operado pela TotalEnergies, que, no entanto, está suspenso há quatro anos devido aos ataques terroristas.

“O programa prevê, na componente de infraestruturas, o desenvolvimento de infraestruturas básicas como estradas terciárias em pavimentação e terraplanagem com o objetivo de contribuir para a melhoria da mobilidade das populações e o escoamento da produção para potenciais mercados locais”, avança-se no comunicado.

Na componente da agricultura, o financiamento da TotalEnergies prevê o desenvolvimento de cooperativas agrícolas, contribuindo para o aumento da produção, processamento e conexões com mercados, “com impactos significativos na dinamização do emprego local, sobretudo em benefício da população jovem”, acrescenta.

De acordo com a ADIN, o projeto vai apoiar atores económicos locais para impulsionar uma correta gestão de áreas de preservação ambiental, contribuindo para um desenvolvimento “sustentável e indutor” de emprego, ajudando na preservação da biodiversidade.

O foco estará nos “choques climáticos e fatores adversos” e “a componente de resiliência comunitária prevê iniciativas de apoio a ecossistemas económicos locais para possibilitar a ajuda humanitária e o apoio a iniciativas de coesão social”, acrescenta-se.

Em 14 de julho, o Governo moçambicano garantiu que estão criadas as condições para a retoma do megaprojeto de Gás Natural Liquefeito (GNL) em Cabo Delgado, após uma reunião entre o Presidente, Daniel Chapo, e o líder da TotalEnergies.

Patrick Pouyanné admitiu anteriormente a possibilidade de retoma do megaprojeto, de 20 mil milhões de dólares (17,3 mil milhões de euros), até agosto passado e várias empresas subcontratadas estão a receber instruções para se preparem para regressar aos trabalhos na península de Afungi, em Cabo Delgado, extremo norte de Moçambique, suspensos há quatro anos devido aos ataques terroristas.

A TotalEnergies, líder do consórcio da Área 1, tem em curso o desenvolvimento da construção de uma central, em Afungi, nas proximidades de Palma, em Cabo Delgado, para produção e exportação de Gás Natural Liquefeito (GNL).

A multinacional tem uma participação de 26,5% neste projeto, destinado principalmente a clientes na Ásia, a par de parceiros moçambicanos e da japonesa Mitsui (20%).

Moçambique tem três projetos de desenvolvimento aprovados para exploração das reservas de gás natural da bacia do Rovuma, classificadas entre as maiores do mundo, ao largo da costa de Cabo Delgado.

Desde outubro de 2017, a província, rica em gás, enfrenta uma rebelião armada com ataques reclamados por movimentos associados ao grupo extremista Estado Islâmico, que chegaram a provocar mais de um milhão de deslocados, incluindo 349 mortos só em 2024, segundo dados do Centro de Estudos Estratégicos de África, instituição académica do Departamento de Defesa do Governo norte-americano que analisa conflitos em África.


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