Trabalho noturno e aumento salarial. Fectrans explica quanto vão ganhar os motoristas com novo memorando

O coordenador da estrutura sindical revela que a questão central das negociações se centra nos salários. Ainda assim, sustenta que hoje “o salário dos motoristas é composto pela remuneração base, complemento salarial, cláusula 61, trabalho noturno e diuturnidades”. 

Mário Cruz/Lusa

A Fectrans apresentou esta quinta-feira, 15 de agosto, alguns pontos sobre a reunião e memorando de entendimento subscrito ontem entre a Fectrans e a Antram. José Manuel Oliveira apresentou esta manhã aos jornalistas o que este memorando de entendimento significa.

O coordenador da estrutura sindical indica que este memorando “reflete um conjunto de matérias que são nucleares na atual negociação, que vem a decorrer desde maio deste ano”. José Manuel Oliveira esclareceu que este o conteúdo do contrato coletivo de trabalho do ano passado prevê uma revisão da matéria salarial todos os anos mas também “para introduzir melhorias, tendo em conta um conjunto de necessidades” expostas em novas cláusulas.

“Este memorando de esclarecimento não pode ser desligado daquilo que é o protocolo de 17 de maio, já que vimos ontem um conjunto de matérias que não estão claras nem devidamente assumidas, ou estão tratadas de forma genérica no protocolo”, afirma José Manuel Oliveira.

O coordenador da estrutura sindical revela que a questão central das negociações se centra nos salários. Ainda assim, sustenta que hoje “o salário dos motoristas é composto pela remuneração base, complemento salarial, cláusula 61, trabalho noturno e diuturnidades”.

“São estas rubricas que determinam aquilo que um motorista recebe mensalmente. À exceção das diuturnidades, quando uma mexe as outras também mexem”, sublinha José Manuel Oliveira. Portanto, quando se fala de um aumento de 630 euros para 700 euros, isto significa um maior aumento para cada trabalhador no fim do mesmo mês.

No exemplo do coordenador da Fectrans, um motorista de combustíveis passaria a auferir de um aumento de 266 euros mensais com todas as contribuições, enquanto um internacional iria receber mais 140 euros mensais e um de operações auferia de um aumento de 50 euros.

As refeições, por sua vez, iriam ter um aumento de 4% nas contribuições, e as ajudas de custos que, por norma demoram muito tempo a ser pagas, seriam colocadas à disponibilidade do motorista à sua chegada a Portugal. “O trabalho noturno passa a ser pago à parte”, esclarece o coordenador.

Ainda que nenhum trabalhador seja obrigado a fazer trabalho extraordinário, por lei, nas “situações excecionais” estariam autorizados a conduzir mais duas horas por dia, ao que se somaria mais 48% da soma da retribuição mensal.

O valor do seguro de saúde ainda permanece em discussão, indica a Fectrans. “Tudo o que foi alcançado até agora foi com a persistência da negociação e da intervenção na mesa de negociações”, revelou José Manuel Oliveira no final da sua apresentação do memorando com a Antram.

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