Um trader anónimo ganhou cerca de 410 mil dólares (350 mil euros à taxa de câmbio atual) apostando, no Polymarket [plataforma que opera no mercado das previsões] na queda do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O episódio pode levar a que o legislador norte-americano avance com regras mais restritivas relativamente ao uso de informação privilegiada, refere a agência noticiosa Reuters.
A Reuters relata que este trader foi acumulando posições em contratos que estavam ligados à queda de Nicolás Maduro, desde que abriu uma conta no Polymarket, em dezembro. Estes contratos tinham poucas probabilidades de verem ‘bom porto’ antes da operação norte-americana que levou à captura do governante venezuelano no passado fim-de-semana.
A NPR revela que esta conta foi aberta com o nome de utilizador “Burdensome-Mix”, antes de ser mudado o utilizador para uma sequência de letras e números.
A Reuters refere que este trader começou com uma compra inicial de 96 dólares (82 euros) em contratos a 27 de dezembro que seriam pagos se os Estados Unidos invadissem a Venezuela até 31 de janeiro, salienta a Reuters. Este valor foi sendo reforçado nos dias seguintes até o trader acumular contratos no valor de 34 mil dólares (29 mil euros), numa altura em que não estava confirmada a detenção de Nicolás Maduro. Com a confirmação da captura do governante venezuelano o valor destes contratos, na posse deste trader, acabaram por disparar.
A Chainalysis, empresa que acompanha o roubo de criptomoedas, criada pela NPR, confirmou que não consegue determinar a pessoa que faz usufruto desta conta. Contudo, a empresa referiu que este utilizador está a utilizar várias corretoras de criptomoedas dos Estados Unidos (EUA) para levantar o dinheiro, sugerindo que não está a tentar ocultar a sua identidade canalizando dinheiro através de corretoras obscuras no estrangeiro, algo que é habitual em esquemas de fraude com criptomoedas.
A Reuters refere que esta operação, que resultou num ganho assinalável para este trader anónimo, pode despoletar a atenção dos legisladores, nos Estados Unidos, que defendem que devem existir regras mais apertadas relativamente ao uso de informação privilegiada.
Mas provar que este trader recorreu a informação privilegiada para seu lucro não será assim tão simples de ser concretizado. O professor da Wharton School da Universidade da Pensilvânia, Daniel Taylor, citado pela NPR, considerou que “é difícil dizer” se existiu uso de informação privilegiada. “É mais fácil identificar coisas suspeitas em retrospetiva do que identificá-las em tempo real”, referiu Daniel Taylor.
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