Transferência de risco dos bancos portugueses para o exterior caiu no terceiro trimestre de 2020

Os bancos portugueses têm menos ativos sobre entidades residentes que são garantidos por entidades não residentes no terceiro trimestre de 2020. Dados do Banco de Portugal revelam que cerca de 73% dos ativos financeiros de risco dos bancos portugueses localizavam-se na União Europeia.

O Banco de Portugal revelou as estatísticas bancárias internacionais em base consolidada relativas ao terceiro trimestre de 2020. Nelas se conclui que houve um decréscimo dos ativos dos bancos portugueses sobre entidades residentes em Portugal que são garantidos por entidades não residentes.

A diferença entre as duas óticas do risco – exposição imediata (86,4 mil milhões) e exposição em última instância (87,2 mil milhões) e que é de 0,8 mil milhões de euros, corresponde a ativos dos bancos “que são uma responsabilidade de entidades portuguesas mas que, em última instância, são garantidos por entidades não residentes”.

“Esta diferença representa uma transferência de risco líquida de Portugal para o exterior.  Nos últimos trimestres, este valor tem registado uma diminuição”, explica o Banco de Portugal.

Estas estatísticas apresentam duas perspetivas da exposição internacional dos bancos com sede em Portugal consoante a ótica da contraparte – a exposição direta e a exposição indirecta via garantia de cumprimento do contrato em substituição da entidade com a qual os bancos têm uma exposição directa.

No final do terceiro trimestre de 2020, a exposição imediata dos ativos financeiros dos bancos portugueses foi de 86,4 mil milhões de euros, o que representou um decréscimo de 1,5 mil milhões de euros relativamente ao verificado no final do segundo trimestre do ano.

A exposição em última instância dos bancos portugueses, também decresceu em igual montante para 87,2 mil milhões de euros de ativos financeiros, no final do terceiro trimestre de 2020.

Destes ativos, 73% localizavam-se na União Europeia. Esta percentagem reflete uma redução de 0,4 mil milhões de euros e de 0,6 mil milhões de euros, nas óticas de risco imediato e de ultima instância, respetivamente, face ao último trimestre.

A exposição em última instância dos ativos financeiros de risco a Estados-Membros da União Europeia e aos BRICS (Brazil, Russia, India, China, and South Africa) manteve-se superior à exposição imediata.

Pelo contrário, perante os PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa), os bancos portugueses apresentavam maior exposição imediata do que em última instância: parte dos ativos que estes detinham sobre entidades residentes nos PALOP eram garantidos por entidades residentes noutros países.

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