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Trump reduz tarifas sobre a China após reunião “incrível” com Xi Jinping

Encontro entre os líderes das duas maiores economias do mundo correu dentro dos parâmetros do que tinha sido antecipado ao longo da semana. A redução de tarifas e a normalização da exportação de terras raras foram duas promessas que marcaram o encontro.
30 Outubro 2025, 09h09

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, disse esta quinta-feira que concordou com o presidente Xi Jinping, o seu homólogo chinês, em reduzir as tarifas sobre a China em troca de Pequim intensificar o combate ao comércio ilícito de fentanil, retomar as compras de soja norte-americana e manter o fluxo de exportações de terras raras. O encontro entre ambos na cidade sul-coreana de Busan, o primeiro desde 2019, marcou o fim de uma agitada viagem pela Ásia, na qual Trump conseguiu avanços comerciais com a Coreia do Sul , o Japão e outras nações do Sudeste Asiático. Para a maioria dos analistas, o périplo de Trump dificilmente podia ter corrido melhor.

“Foi uma reunião incrível”, disse Trump já a bordo do Air Force One e citado pela agência Reuters, após deixar Busan, classificando as conversas “com nota 12 de 10″. Trump afirmou que as tarifas sobre as importações chinesas seriam reduzidas de 57% para 47%, diminuindo para metade a taxa de tarifas relacionadas ao comércio de precursores do fentanil para 10%.

Xi Jinping empenhar-se-á “muito para conter o fluxo” de fentanil, um opioide sintético mortal que é a principal causa de mortes por overdose nos Estados Unidos, disse Trump. A tarifa foi reduzida “porque acredito que eles estão realmente a tomar medidas enérgicas”, acrescentou.

A China concordou em suspender os controlos de exportação anunciados este mês sobre terras raras, elementos vitais em carros, aviões e armas e que se tornaram a fonte de influência mais poderosa de Pequim na guerra comercial com os Estados Unidos. A pausa deverá durar um ano, afirmou o Ministério do Comércio da China em comunicado.

A reação à distensão nos mercados de ações globais foi discreta, com os principais índices asiáticos e os futuros europeus oscilando entre ganhos e perdas. O Índice Composto de Xangai abriu em baixa após atingirem máximos de 10 anos, o mesmo tendo sucedido aos contratos futuros de soja nos EUA. “A reação dos mercados tem sido cautelosa, em contraste com a caracterização entusiasmada do encontro feita por Trump”, disse Besa Deda, da consultora William Buck, citado pela Reuters.

Na preparação para a reunião, os mercados de ações mundiais, de Wall Street a Tóquio, atingiram recordes históricos, impulsionados pela esperança de um avanço na guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo, que interrompeu as cadeias de abastecimento e abalou a confiança empresarial global.

O encontro cordial à margem da cimeira da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (APEC) durou mais de uma hora e meia. É normal que as superpotências tenham atritos de vez em quando, disse Xi Jinping a Trump no início do encontro, que decorreu numa base aérea. “O desenvolvimento e o rejuvenescimento da China não são incompatíveis com o objetivo do presidente Trump de ‘Tornar a América Grande Novamente'”, disse.

A Casa Branca sinalizou que espera que a cimeira seja a primeira de várias entre os dois líderes no próximo ano. Trump disse que viajará à China em abril, antes de receber Xi Jinping nos Estados Unidos.


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