O Governo norte-americano está a planear reunir-se com as maiores petrolíferas norte-americanas para discutir o investimento na Venezuela após a queda de Nicolas Maduro.
Os encontros deverão ter lugar na quinta-feira com o objetivo de reavivar o setor petrolífero venezuelano, escreve a “Reuters”.
A Casa Branca quer ver as petrolíferas a investir no país, duas décadas após a sua saída ordenada por Hugo Chavez, mas há muitos desafios: infraestrutura de produção envelhecido e os riscos políticos da transição de poder não ser favorável aos interesses dos EUA.
As três maiores petrolíferas dos EUA – Exxon Mobil, ConocoPhillips e Chevron – ainda não conversaram sobre este tema com o executivo após a saída de Maduro, segundo fontes citadas pela “Reuters”, contrariando as declarações de Trump em que afirmou que já se tinha reunido com “todas” as petrolíferas americanas antes e depois da queda de Maduro.
“Ninguém nestas três empresas teve conversações com a Casa Branca sobre operar na Venezuela”, segundo uma das fontes citadas pela agência noticiosa.
Mais. No setor há dúvidas que haja mais empresas a voar para a Venezuela, além da Chevron que já opera no país, aponta um executivo do setor à “Reuters”. A companhia exporta 150 mil barris diários de crude da Venezuela.
A Exxon e a ConocoPhillips estiveram na Venezuela, mas foram alvos das nacionalizações de Hugo Chavez. Ambas estão envolvidas em casos legais internacionais para tentar obter a devolução do seu investimento.
A Casa Branca quer aumentar a produção de petróleo, a refinação e as exportações. A Venezuela conta com as maiores reservas de petróleo do mundo.
Mas há preocupações regulatórias por parte das petrolíferas, pois discutir operações com a Casa Branca pode violar regras concorrenciais sobre concertação de investimentos.
Por outro lado, a estrutura de produção venezuelana está envelhecida e a produção afundou para um terço face há duas décadas.
Mas a petrolífera estatal venezuelana PDVSA já disse que a sua infraestrutura não é atualizada há 50 anos e que o custo para a atualizar seria de quase 60 mil milhões de dólares. A estimativa foi divulgada em 2021 pela “Reuters” com o investimento a ter capacidade para colocar a produção em 3,4 milhões de barris diários aos níveis registados em 1998 antes de Hugo Chávez chegar ao poder.
Para já, não se sabe qual vai ser a reação dos executivos ao repto lançado pelo presidente americano. Oficialmente, as petrolíferas não reagiram ainda.
Do outro lado, a Casa Branca acredita que há vontade do setor nacional investir na Venezuela. “Todas as nossas companhias estão preparadas para investir em grande na Venezuela para reconstruir a sua infraestrutura de petróleo que foi destruída pelo regime ilegítimo de Maduro”, segundo a porta-voz Taylor Rogers.
O presidente admitiu a possibilidade de o subsidiar com dinheiro público o investimento das companhias na Venezuela.
“As companhias estavam absolutamente conscientes de que estávamos a pensar em fazer algo, mas não lhes dissemos”, afirmou Trump à “NBC News”.
Os investidores estão optimistas, acreditando que há oportunidades de negócio no país. O índice de energia de Wall Street disparou para máximos desde março de 2025, com a Exxon Mobil a subir mais de 2% e a Chevron mais de 5%.
Mais de 300 mil milhões de barris jazem debaixo da Venezuela. É a maior reserva global provada do mundo e corresponde a um quinto das reservas globais.
A Arábia Saudita surge na segunda posição (267 mil milhões de barris), seguida do Irão (208 mil milhões), e do Canadá (163 mil milhões). Estes quatro países detêm mais de metade das reservas globais de petróleo.
Por dia, o país produz apenas um milhão de barris, menos de 1% da produção de crude a nível global, muito abaixo do seu potencial.
Desde que Nicolas Maduro assumiu o poder em 2013 que a produção caiu para metade. Desde o início do regime Chavez/Maduro em 1999 que a produção caiu para menos de um terço face aos 3,5 milhões de barris à época.
O crude venezuelano é diferente do saudita, por exemplo, sendo mais pesado, logo mais difícil de extrair. Mas é melhor para produzir certos produtos, como gasóleo, asfalto e outros combustíveis para a indústria, ao contrário do saudita que é melhor para produzir gasolina.
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