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Venezuela conta com as maiores reservas de petróleo do mundo

Caracas já tinha acusado os EUA de quererem meter a mão nas maiores reservas mundiais de petróleo.
3 Janeiro 2026, 14h58

Mais de 300 mil milhões de barris jazem debaixo da Venezuela. É a maior reserva global provada do mundo e corresponde a um quinto das reservas globais.

A Arábia Saudita surge na segunda posição (267 mil milhões de barris), seguida do Irão (208 mil milhões), e do Canadá (163 mil milhões). Estes quatro países detêm mais de metade das reservas globais de petróleo.

Por dia, o país produz apenas um milhão de barris, menos de 1% da produção de crude a nível global, muito abaixo do seu potencial.

Caracas foi hoje bombardeada pelos Estados Unidos, com as forças especiais Delta Force do exército dos EUA a capturarem Nicolas Maduro que segue agora a caminho de Nova Iorque para ser julgado por tráfico de droga e de armas.

A Delta Force é responsável, por exemplo, pelo resgate de soldados dos EUA durante a batalha de Mogadiscio na década de 90, que deu origem ao filme ‘Black Hawk Down”.

Os EUA contam desde dezembro com uma dúzia de navios de guerra nos mares da região e com mais de 15 mil soldados.

Desde que Nicolas Maduro assumiu o poder em 2013 que a produção caiu para metade. Desde o início do regime Chavez/Maduro em 1999 que a produção caiu para menos de um terço face aos 3,5 milhões de barris à época.

O crude venezuelano é diferente do saudita, por exemplo, sendo mais pesado, logo mais difícil de extrair. Mas é melhor para produzir certos produtos, como gasóleo, asfalto e outros combustíveis para a indústria, ao contrário do saudita que é melhor para produzir gasolina.

O mercado mundial de gasóleo está mais apertado atualmente, em grande parte devido às sanções sobre o petróleo venezuelano.

As grandes petrolíferas internacionais têm capacidade para tal, mas têm sido proibidas de operar no país desde que Washington começou a impor sanções em 2005.

Em 2022, o presidente Joe Biden deu autorização à petrolífera Chevron para operar no país, mas Donald Trump começou por revogar a licença este ano, para depois voltar a permitir a operação.

Washington tem sido acusado por Caracas de querer invadir o país para roubar o petróleo, com Trump a argumentar que quer combater o narcotráfico.

Apesar de os EUA serem o mais produtor mundial, ainda precisam de comprar petróleo ao exterior, pois produzem somente crude leve.

O país compra atualmente mais de 100 mil barris por dia à Venezuela, ficando na 10ª posição de fornecedores, mas fica muito atrás dos mais de 250 mil barris comprados à Arábia Saudita ou mais de 4 milhões ao Canadá.

A abertura do setor petrolífero venezuelano ao mundo e às companhias globais poderá tornar o país num produtor mais musculado,.

“Se tivermos um governo legítimo na Venezuela, abriria as portas ao mundo para mais fornecimento, reduzindo o risco de disparos nos preços e escassez”, disse à “CNN” Phil Flynn analista da Price Futures Group.

A petrolífera estatal venezuelana PDVSA disse que a sua infraestrutura não é atualizada há 50 anos e que o custo para a atualizar teria um custo de quase 60 mil milhões de dólares. A estimativa foi divulgada em 2021 pela “Reuters” com o investimento a ter capacidade para a produção em 3,4 milhões de barris diários aos níveis registados em 1998 antes de Hugo Chavez chegar ao poder.

A invasão americana da Venezuela arriscar impactar preços do petróleo, alertaram os analistas da XTB em dezembro.

“Um cenário de escalada, pode traduzir-se em maior volatilidade nos preços do crude, que apresenta uma valorização em torno de 18% em relação ao ano passado”, segundo uma nota divulgada na quarta-feira pela plataforma de investimento.

“Além disso, este conflito pode levar a prémios de risco mais elevados na dívida soberana e maior sensibilidade dos investidores a notícias sobre sanções, interrupções de produção ou incidentes nas Caraíbas”, acrescenta.

A XTB destaca que este tema “deve ser acompanhado de perto, como um risco potencial para aquilo que é o segmento energético e para os ativos da América Latina (LATAM) em geral”.

“Qualquer episódio que reduza ainda mais a já limitada produção venezuelana, tende a reforçar os prémios de risco no mercado petrolífero, e aumentar a importância de outros produtores dentro do cartel para assim lograr a estabilização dos preços”, acrescenta.

As forças dos EUA também têm realizado ataques contra embarcações nas Caraíbas. O objetivo de Washington é acabar com o denominado Cartel de los Soles, da qual Maduro fará parte.

O Governo da Venezuela rejeita todas as acusações.

Numa chamada de 21 de novembro, divulgada em dezembro  pela “Reuters”, Nicolas Maduro terá dito a Trump que estava disposto a abandonar a Venezuela desde que ele e a sua família fossem alvo de uma amnistia, pedindo a remoção de todas as sanções e o fim de um caso no Tribunal Criminal Internacional. O presidente americano terá rejeitado a maioria dos pedidos, dando uma semana a Maduro para abandonar o país rumo a um país à sua escolha com a sua família, mas este prazo já terminou.

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