Uma estratégia de sobrevivência face à transformação digital

Quem prosperar neste contexto terá, necessariamente, que perspetivar o seu negócio a partir dos olhos dos seus respetivos clientes e entender que a inovação a um ritmo acelerado pode constituir a chave para um crescimento a longo prazo.

A era digital chegou. As empresas que não perceberem isto serão ultrapassadas. Em diversos segmentos industriais e de mercados como, por exemplo, a prestação de serviços em plataformas digitais, já podemos testemunhar como startups e empresas em nichos de mercado específicos  desencadearam uma revolução.

As empresas que eram dominantes, mas que acabam por assistir a todas as mudanças em seu redor há demasiado tempo sem reação, poderão acabar rapidamente  por ter que lutar pela sobrevivência – tal como na indústria de entretenimento e música, onde os serviços de streaming consumiram uma parte significativa do âmbito dos prestadores de cópia impressa. Quanto mais e melhor for possível entender como  e por que razão os diferentes atores no mercado, de pequena e média dimensão, poderão conquistar mercados de caráter global, mais bem posicionado estará para ser um vencedor.

A transformação digital permite inclusivamente que as pequenas empresas pensem numa dimensão maior porque coloca a tecnologia ao seu serviço, o que anteriormente seria mais difícil de aceder e mais caro de adquirir. No entanto, adotar tecnologias modernas, por si só, não basta para se ter sucesso no mercado. Quando as novas tecnologias são combinadas com a devida paixão em colocar os interesses do cliente no centro de tudo o que é feito, estas podem dar às empresas com melhor capacidade um impulso decisivo para tomarem a dianteira.

E as PME têm oportunidades fantásticas, assim que tornem mais digitais os seus respetivos modelos de negócios existentes – especialmente em indústrias manufactureiras, em que a introdução de mais software permite complementar o âmbito do hardware e assim eliminar os custos fixos para uma alavancagem mais rápida a um nível global. As empresas que seguirem este princípio poderão tornar-se protagonistas neste contexto, assumindo o lugar reservado aos anteriores protagonistas nas respetivas indústrias.

A transformação digital consiste num processo que passa por adotar a mentalidade certa, ou seja, aquela que visa criar experiências digitais inovadoras. Desde o início que o princípio orientador da Amazon tem sido a experimentação contínua com enfoque no cliente, tanto nas atividades de comércio eletrónico como na Amazon Web Services. Fomos assim descobrindo que a organização dos nossos esforços de inovação em torno das necessidades dos clientes poderia desencadear a inovação muito rapidamente. Desde 2006, a Amazon Web Services introduziu mais de 2.500 novos serviços e recursos, sendo que cerca de 90% destes não são mais do que o resultado de desejos previamente expressos pelos clientes.

O primeiro requisito para ver desenvolvida uma mentalidade de inovação é adaptar rapidamente a oferta face à mudança do comportamento do cliente. Por exemplo, a tendência de comprar alimentos online com entrega ao domicílio é algo novo adotado por vários compradores. Uma das empresas que compreendeu isso está em Itália, a Eataly, e utiliza este conceito para tentar chegar a um público mais global. A Eataly quer promover a comida italiana de alta qualidade e levá-la a casa das pessoas de todo do mundo.

A empresa está a expandir rapidamente a sua atividade comercial em diversos mercados, sendo que as plataformas eficientes, flexíveis e expansíveis de e-commerce, em ambiente “cloud” e aplicação móvel constituem a chave para disponibilizar produtos de qualidade de forma célere. Comida italiana à sua porta e a partir de alguns cliques é agora uma realidade.

As empresas que querem adotar uma mentalidade de inovação digital devem optar por deixar as suas zonas de conforto – mesmo que não sintam (ainda) qualquer pressão para mudar. Por outras palavras: é necessário desenvolver um impulso interno para não atender apenas às necessidades de mudança dos seus clientes mas, também, antecipá-las.

O caso de uma empresa que o faz bastante bem é o da Satispay, uma aplicação gratuita que permite enviar dinheiro para os seus amigos, bem como fazer pagamentos em lojas e online. A empresa e os seus fundadores compreenderam que as novas gerações, tendo vivido e crescido com o smartphone, iriam habituar-se rapidamente a pagar qualquer tipo de produto ou serviço, desde o pão na padaria até ao combustível na bomba de gasolina, usando o telemóvel.

Foi com este objetivo em mente que criaram uma app que faz com que transferir dinheiro seja tão fácil quanto enviar uma mensagem, que não solicita informações confidenciais nem dados de cartão de crédito, permitindo o pagamento sem comissões ou tarifas mensais. Este é um projecto ambicioso que oferece uma gama abrangente de serviços e recursos em ambiente cloud a nível empresarial, com custos de operação e de instalação acessíveis para startups.

A transformação digital abre novas oportunidades às empresas para criarem valor acrescentado. E adotar uma mentalidade de inovação digital levará a pensar que tipo de valor se quer adicionar a um mercado no futuro. Por exemplo, a Decisyon – criada em 2005 e usada atualmente em mais de 200 empresas em todo o mundo – implementa uma ampla gama de soluções IoT que permite aos seus clientes unificar aplicações comerciais e operacionais, usando a AWS para executar muitas das suas “Internet das Coisas”, bem como soluções de grandes volumes de dados. Uma dessas soluções – a Decisyon 360 – foi usada para proporcionar a otimização de ativos com vista à monitorização de um espaço com moinhos de vento no estado do Wyoming (EUA), o que resultou num aumento da receita através da prevenção de inatividade, da redução de custos de inventariação e mão de obra e otimização de armazenamento e logística.

Esta é apenas uma das muitas implementações possíveis: desde uma solução de gestão da cadeia entre fornecedores e vendedores para a Johnson & Johnson a uma solução de CRM ao nível de dados sociais, adotada por clientes como a TIM e a Intesa San Paolo, que transforma dados de caráter social num verdadeiro ativo empresarial.

Não é possível consolidar uma mentalidade de inovação digital na sua empresa de um dia para o outro. Mas, a avaliar pelo número crescente de empresas bem-sucedidas na era digital depois de adotarem essa mentalidade, vale a pena o esforço. Resumindo, isso significa que a sua empresa não só irá sobreviver a todas as mudanças, como irá lançar as bases para um futuro auspicioso.

Recomendadas

Tiago Nobre Reis: “Blockchain poderá ser relevante para os direitos de propriedade intelectual”

Assinala-se esta sexta-feira Dia Mundial da Propriedade Intelectual. O managing partner da Inventa International acredita que o e-commerce tem contribuído para o acesso a produtos contrafeitos. “Há inventores que publicam as suas invenções antes de fazer a devida proteção das suas patentes, o que resulta na perda de novidade”, alerta.

Cloud híbrida, a promessa de um caminho seguro

O mercado nacional de serviços Cloud vale hoje 142 milhões de euros e prevê-se que cresça a uma taxa média anual de 21% até 2020. O que se recomenda, então, a uma empresa que tem legado? Um caminho seguro.

Crescer em contraciclo

O país deve privilegiar as exportações ao invés de políticas que estimulem descoordenadamente o consumo interno, podendo as vendas ao exterior ser dinamizadas com a transformação digital das PME.
Comentários