“Vamos levar mais algum tempo até retomarmos as atividades que tínhamos antes da pandemia”, alerta Fernando Medina

Fernando Medina participou esta quinta-feira, no painel de debate da Web Summit “Questions facing cities today”, pronunciando-se sobre os desafios que a sua autarquia enfrenta na atual conjuntura da pandemia de Covid-19, sendo acompanhado pelo Mayor de Londres, Sadiq Khan e pelo homólogo de Toronto, John Tory.

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“Quem julga que vai perder dinheiro a arrendar à autarquia de Lisboa as casas que colocou Airbnb, desengane-se porque os problemas com a pandemia de Covid-19 não vão acabar já em dezembro”, referiu o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Fernando Medina, alertando no sentido de que “vamos levar mais algum tempo até retomarmos as atividades económicas que tínhamos antes da pandemia”. Fernando Medina participou esta quinta-feira, no painel de debate da Web Summit “Questions facing cities today”, pronunciando-se sobre os desafios que a sua autarquia enfrenta na atual conjuntura da pandemia de Covid-19, sendo acompanhado pelo Mayor de Londres, Sadiq Khan e pelo homólogo de Toronto, John Tory.

Um dos maiores desafios que Lisboa enfrenta – tal como muitas outras cidades em todo o mundo – é a disponibilidade de habitações com rendas a preços acessíveis. “O arrendamento de casas a preços acessíveis, destinadas principalmente a jovens e a agregados de classe média, tem aumentado em Lisboa devido ao crescimento do programa Renda Acessível que arrenda casas que estão no sistema de arrendamentos turísticos do Airbnb para depois as colocar em subarrendamento por preços mais baixos, limitados a um terço do rendimento líquido mensal dos candidatos a estas habitações”, explicou Fernando Medina.

Mas o problema na captação destas casas é que os seus proprietários acreditam que as limitações de mercado induzidas pela pandemia de Covid-19 vão acabar em breve, como julgavam que acabavam no verão e agora “acreditam que esta situação mudará em dezembro, retomando a seguir os fluxos de turistas, e por isso receiam perder dinheiro no arrendamento das suas casas ao programa Renda Acessível, mas na realidade a recuperação dos mercados não será assim tão rápida”, comentou Fernando Medina, reconhecendo que “o arrendamento nestas circunstâncias tem uma rentabilidade mais baixa, mas também é verdade que o risco dos proprietários é mais baixo”, porque não terão as casas desocupadas por falta de turistas.

Fernando Medina explicou que este programa visa ter cerca de mil casas dedicadas ao rendimento acessível em Lisboa, o que custará cerca de quatro milhões de euros por ano. Atualmente já dispõe de um parque de 300 apartamentos e vai avançar para a segunda fase do projeto. O autarca de Lisboa referiu que o sistema de Airbnb tem cerca de 25 mil apartamentos e tem influenciado a subida dos preços do arrendamento nas principais cidades portuguesas de forma significativa.

O Mayor de Toronto comentou que a sua cidade tem um programa semelhante e agora estão a transformar edifícios de hotéis que estão sem ocupação em apartamentos para instalar pessoas que ficaram em situações de vulnerabilidade devido *à crise induzida pela pandemia de Covid-19.

Relativamente a outros desafios que as cidades enfrentam atualmente, o Mayor de Londres, Sadiq Khan, da ala social-democrata moderada do Partido Trabalhista, referiu a questão da utilização de bases de dados sobre os habitantes de Londres, que tem sido particularmente desenvolvida por sistemas com tecnologias de última geração para múltiplos fins, desde o controlo de atividades criminais, até à modelação dos fluxos de infetados com o vírus Sars-Cov-2.

“É preciso que as populações tenham confiança na forma como dos dados são utilizados, garantido o respeito pela confidencialidade de informações específicas, para que os projetos que recorrem a estas tecnologias sejam aceites pela sociedade”, comentou Sadiq Khan, esclarecendo que estas tecnologias têm vindo a ser “utilizadas pelos organismos policiais, com sistemas de reconhecimento facial, no combate ao crime”.

Também o Mayor de Toronto considera fundamental que as tecnologias de utilização de dados sobre os munícipes têm de ser entendidas pela sociedade, o que implica sempre tempo e informação, bem como garantias de que os dados são utilizados de forma correta e segura, porque, diz, “o fator mais relevante para a sociedade é a confiança, e uma vez que essa confiança é perdida, dificilmente volta a ser recuperada”.

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