Venda de imóveis registam quebra de 82% em janeiro

O impacto da pandemia é forte num sector em que os canais digitais não substituem eficazmente as visitas presenciais aos imóveis, como aponta a associação, que destaca ainda a quebra nos preços praticados e na procura.

A venda de imóveis em janeiro terá sofrido quebras homólogas de 82,4%, de acordo com o inquérito realizado pela Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP) junto dos representantes do sector, que reportam ainda menos 77,4% de vendas do que no mês anterior.

Este resultado corrobora o impacto que a pandemia estará a ter no mercado imobiliário, com as restrições à circulação e ao contacto a dificultarem a visita a propriedades por potenciais compradores. A procura tem assim sofrido com a crise pandémica, sendo que 84,8% dos inquiridos apontam para quebras homólogas de procura e 71% a indicar quebras mensais.

Em termos dos preços praticados, 62,5% apontaram para a sua manutenção e 31,4% para a sua quebra, quando comparado com o mês anterior. Em relação ao período homólogo, 44,9% dos inquiridos afirmam que os preços se mantiveram e 37,5% que diminuíram.

“Se no ano passado as empresas demonstravam algum otimismo apesar das circunstâncias, em 2021 a fadiga e as dificuldades que enfrentam é espelhada nos resultados deste Barómetro: por um lado, a quebra da procura começa a ser notória, por outro, as empresas continuam impedidas de fazer visitas e de desenvolver a sua atividade, o que se reflete no seu grau de otimismo para o desempenho do presente ano”, denota Luís Lima, o Presidente da APEMIP.

“61% dos profissionais declararam nunca ter efetuado qualquer negócio através de visitas virtuais, e 15,3% afirmaram não ter à sua disposição meios para o fazer, o que comprova que este recurso serve só nichos muito específicos do mercado”, revela, o que espelha a ineficácia das visitas virtuais neste sector.

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