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Venezuela: Maduro e representante de Pequim reuniram há um dia

Quase com ironia, o presidente da Venezuela manteve, no dia anterior a ser preso e enviado para os Estados Unidos, um encontro de primeira importância com um diplomata enviado pela China.
HO/Reuters
3 Janeiro 2026, 17h16

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, e o representante do regime chinês, Qiu Xiaoqi, mantiveram um encontro bilateral esta sexta-feira em Caracas. Qiu Xiaqi, enviado especial de Xi Jinping, terá conversado com Maduro sobre o aumento das tensões com os Estados Unidos exatamente um dia antes de essa tensão ter resultado na captura, por parte dos Estados Unidos, do próprio presidente venezuelano e da sua mulher.

Segundo a emissora estatal Venezolana de Televisión (VTV), o encontro entre Maduro e Qiu ocorreu no Palácio de Miraflores, sede do regime, e contou com a presença da vice-presidente executiva Delcy Rodríguez e do chanceler Yván Gil. Pela delegação chinesa, também participou o embaixador da China na Venezuela, Lan Hu.

Segundo a mesma fonte, o encontro teve como objetivo “revisitar os laços de cooperação entre Venezuela e China”, países que mantêm mais de 600 acordos bilaterais em áreas como a energia, infraestrutura, tecnologia e financiamento. O encontro aconteceu num contexto de críticas do regime chinês à pressão aeronaval dos Estados Unidos nas Caraíbas, iniciada em agosto do ano passado. Segundo autoridades de Pequim, a operação representa uma violação do direito internacional, especialmente após a apreensão, pelos Estados Unidos, de dois petroleiros que transportavam petróleo venezuelano.

Recorde-se que, a 22 de dezembro, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Lin Jian, afirmou que Pequim se opõe a sanções unilaterais contra a Venezuela. Segundo ele, essas medidas “carecem de fundamento no direito internacional” e não contam com autorização do Conselho de Segurança da ONU.

O episódio ocorre poucos dias depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciar um ataque dentro da Venezuela contra uma área portuária ligada, segundo Washington, a uma rede de narcotráfico associada ao regime de Maduro. E um dia antes do ataque que resultou na prisão de Maduro.


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