Vice-presidente do Chega chama “centopeia política” à aliança PSD-CDS em Lisboa

Diogo Pacheco de Amorim critica “nebuloso labirinto estratégico” de Rui Rio e apelida de “Aliança Pelintocrática” a coligação que Carlos Moedas está a preparar para as eleições autárquicas em que PSD e CDS pretendem juntar forças como o RIR, MPT, PPM ou PURP nas listas com que procuram derrotar Fernando Medina.

Diogo Pacheco de Amorim com André Ventura

O vice-presidente do Chega Diogo Pacheco de Amorim classificou a aliança entre o PSD e o CDS para a Câmara de Lisboa de “coleante centopeia política” ao pé da qual “mesmo a geringonça de Costa foi uma obra de arte”. Para o dirigente, a tentativa de juntar pequenos partidos numa “megacoligação de centro-direita” que procura eleger o ex-comissário europeu Carlos Moedas para a presidência do município nas autárquicas que serão disputadas entre o final de setembro e outubro, tem como ideia central “deixar ostensivamente de fora André Ventura e o Chega, portadores da lepra, da peste, da gripe espanhola e de tudo quanto a imaginação febril dos idiotas que povoam este terra imaginar consigam”.

Citando uma notícia do “Público” que dá conta de contactos da candidatura PSD-CDS à Câmara de Lisboa com o Aliança, o RIR – Reagir, Incluir, Reciclar, o Partido Popular Monárquico (PPM) e o Movimento Partido da Terra (MPT) – sendo que esses dois últimos integraram há quatro anos a coligação liderada pelo CDS que permitiu a Assunção Cristas superar os 20% e eleger quatro vereadores, contra apenas dois do PSD -, bem como contactos com o Nós Cidadãos, o Partido Unido dos Reformados e Pensionistas (PURP) e o Partido Democrático Republicano (PDR), Diogo Pacheco de Amorim citou “o único pensamento profundo da longa vida” de Karl Marx: “A História repete-se: a primeira vez como tragédia, a segunda como comédia”.

“Tivemos Sá Carneiro e Amaro da Costa. Temos, agora, Rui Rio e Rodrigues dos Santos. Estava lá António Barreto e os seus Reformadores. Agora, temos Tino de Rans e o seu RIR. Sim. Tivermos a Aliança Democrática. Eis-nos, agora, sorridentes, a olhar para a Aliança Pelintocrática”, escreveu nas redes sociais Diogo Pacheco de Amorim, que foi o número 2 do Chega pelo círculo de Lisboa nas legislativas de 2019 e só não assumiu temporariamente o lugar de deputado por André Ventura ter sido impedido de suspender o mandato durante a campanha para as eleições presidenciais.

Criticando Rui Rio, “perdido no seu nebuloso labirinto estratégico”, por arregimentar “uma mão-cheia de desvalidos da vida para o (triste) combate da sua vida”, o vice-presidente do Chega acusa o líder social-democrata de abrir as portas da sede do PSD “aos sem-abrigo da política, transformando a aristocrática casa da Lapa numa multitudinária sopa dos pobres”.

“Gostava de ver a cara que farão, lá dentro, aqueles burgueses lisboetas do partido, que se acham elegantíssimos, quando virem toda esta mesnada de sans-cullotes entrar por ali dentro, capitaneada pelo por eles tão desprezado pequeno-burguês dos arredores do Porto, a sujar os tapetes pseudopersas com a lama dos sapatos foleirotes, e a limpar as mãos engorduradas de rissois de leitão cozinhado aos alvos cortinados”, escreveu Diogo Pacheco de Amorim, prevendo que o seu partido e o deputado que o lidera serão precisamente aqueles que conseguirão “não se estatelar no palco desta comédia de teatreco de aldeia perdida nos montes”.

Provável candidato do Chega à presidência da Câmara de Cascais, Diogo Pacheco de Amorim, de 71 anos, é visto como um dos principais ideólogos do partido liderado por André Ventura. Muito criticado pela esquerda devido à sua militância no Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP) durante o período revolucionário, integrou o Movimento Independente para a Reconstrução Nacional (MIRN) antes de se filiar no CDS, de onde saiu para a fundação da Nova Democracia, criada pelo ex-líder centrista Manuel Monteiro (entretanto regressado ao partido), acabando por integrar o Chega.

Rui Rio apresentou Carlos Moedas como o candidato do PSD e CDS à Câmara de Lisboa, tendo este iniciado conversações com outras forças políticas para formar uma coligação que permita reconquistar a capital para o centro-direita pela primeira vez desde a vitória de António Costa nas eleições intercalares de 2007. Entre outros contactos, o ex-comissário europeu reuniu na segunda-feira com o presidente e deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, sendo ainda incerto se esse partido aceitará fazer uma exceção à regra de apresentar listas próprias nas próximas autárquicas.

 

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