Virgílio Lima promete aos associados de Lisboa maior articulação entre as empresas do grupo Montepio

“Se hoje fizéssemos o balanço consolidado já teríamos resultados positivos”, disse o líder da Lista A, Virgílio Lima, que se candidata a um novo mandato à frente da Associação Mutualista Montepio Geral. Eleições são já a 17 de dezembro.

Cristina Bernardo

O candidato pela Lista A à presidência da Associação Mutualista Montepio Geral, Virgílio Lima, participou esta quarta-feira numa sessão de esclarecimento com os Associados de Lisboa, onde apresentou a equipa e as linhas gerais do seu programa, numa sala cheia da Câmara do Comércio.

Maria de Belém, que se candidata a presidente da Mesa da Assembleia Geral, foi a primeira a subir ao palco, logo de seguida foi a vez de Edmundo Martinho, presidente da Santa Casa da Misericórdia, e candidato à Assembleia dos Representantes.

Só depois subiu ao palco Virgílio Lima, líder da Lista A, que lembrou que “este Conselho de Administração arrumou a casa num ano atípico e num contexto de dificuldades tão significativas”.

O atual presidente do Conselho de Administração “que está há 44 anos no grupo” entende que é fundamental continuar o trabalho de “estabilização do Grupo Montepio, interna e externamente”.

“Em termos institucionais o presidente do Conselho de Administração tem a obrigação de apresentar uma candidatura”, disse Virgílio Lima que admite ter-se interrogado a si próprio sobre se avançava para um novo mandato.

“O ano de 2020 foi estruturante desde logo porque fomos confrontados com a imposição de um novo auditor que teve implicações cruciais em termos de imparidades em alguns ativos do grupo e nos resultados do próprio grupo”, começou por explicar o presidente da Associação Mutualista que lembrou que nesse ano foi o ano da pandemia e do teletrabalho.

Numa altura em que “os nossos estatutos ainda não estavam registados, havia alguma tensão com a Direção Geral da Segurança Social relativamente ao seu registo. O que obrigou a um trabalho de diálogo, mas conseguimos registar definitivamente os estatutos”, referiu Virgílio Lima.

“Tínhamos também o Regulamento dos Benefícios que estava desajustado, com as taxas de retorno implícitas que não era compatível com as aplicações que queríamos fazer” disse Virgílio Lima que considerou “algo fundamental e urgente”, fazer a revisão desse regulamento porque as “modalidades atuarias que são as mais naturais”.

“Na sequência da publicação do Código das Associações Mutualistas fomos confrontados com a necessidade de apresentar um plano de atividades a 10 anos e um plano de convergência para o nível de solvência dos seguros adequado à especificidade da nossa atividade, também a 10 anos. Contudo o legislador não precisou as adaptações necessárias à atividade mutualista e houve um trabalho intenso de preparação desse plano de convergência”, relatou Virgílio Lima.

“Sabemos que temos de ter o nível de fundos próprios adequados a este grupo híbrido” que “é uma associação de pessoas, não de capitais. A casa-mãe não tem capital, mas depois tem sociedades subsidiárias que requerem capital”, disse.

“Esse trabalho foi feito em diálogo com a Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF)”, disse o atual presidente da Mutualista. No entanto a ASF não aprovou o Plano de Convergência para o nível de solvência adequado à natureza da Associação Mutualista, porque, explica, “o regime jurídico que enquadra a ASF é o regime da atividade seguradora, não há um regime jurídico para as associações mutualistas, e nessa medida há aqui um gap legislativo que precisa de ser preenchido”, acrescentou.

A Associação Mutualista “conseguiu resultados”, disse ainda acrescentando que “num ano tão dificil as poupanças dos associados cresceram 70 milhões em termos líquidos”.

No último trimestre de 2020 “já observámos crescimento associativo que se manteve em 2021. Neste momento temos 602 mil associados”, revelou.

Em outubro, a Mutualista Montepio está com uma margem associativa de 104 milhões de euros (no acumulado dos 10 meses), 30% acima do valor registado um ano antes, explicou o atual presidente da instituição, que acrescentou “17 milhões de excedentes, ou seja, de resultados positivos, no final de setembro”.

O grupo “também está a apresentar resultados positivos, mesmo o banco conseguiu já apresentar resultados positivos no último trimestre, de 19 milhões de euros, e pensamos que isto é consistente. Se hoje fizéssemos o balanço consolidado já teríamos resultados positivos”, disse ainda.

As Residências Montepio deram resultados negativos em 2020, por causa dos custos acrescidos decorrentes da pandemia para os 1.000 utentes, referiu ainda.

“Decidi avançar mesmo estando consciente dos grandes desafios que se colocam”, disse Virgílio Lima que promete “dar continuidade ao que está bem” e “renovar e corrigir o que não está bem”. O candidato que lidera a Lista A para um novo mandato à frente da Mutualista promete “maior articulação com toda a atividade do grupo e com a gestão, que deverá ter um corporate governance mais simples”.

Para isto criou um Comité Estratégico que reúne os CEO das várias empresas do Grupo, explicou. Este comité serve para acompanhar atividade e os businesses plans das várias empresas, segundo explicou depois o candidato a CFO (administrador financeiro), João Carvalho das Neves.

O presidente da Mutualista promete sinergias em termos de funcionamento entre as empresas do grupo. “Estamos a criar ACE (agrupamentos complementares de empresas), para optimizar o funcionamento conjunto em áreas especializadas”.

No Comité Estratégico “estão os planos estratégicos de cada entidade e o plano estratégico global e a sua consistência e a sua ligação, no sentido de evitar sobreposições e redundâncias”.

Está em curso a digitalização do grupo anunciou ainda.

“Além disso temos um conjunto de ativos do grupo que devemos trabalhar”, disse Virgílio Lima acrescentando que “se fala muito dos ativos improdutivos, na verdade contêm um potencial de mais-valia extraordinária, que vamos tentar aproveitar”.

“A economia social é o terceiro maior empregador do país”, lembrou o líder da Lista A.

A lista A é composta por uma equipa executiva que tem Idália Serrão como responsável das Residências e as áreas da responsabilidade social; João Carvalho das Neves para as áreas financeiras e de imobiliário; Rui Heitor (administrador não executivo do Banco Montepio) que ficará com o pelouro jurídico, o controlo interno e compliance e Fernando Centeno Amaro atual responsável pela rede da economia social do Banco Montepio.

Foi Fernando Amaro que anunciou que o programa da Lista A inclui a modalidade habitação com rendas acessíveis dando a possibilidade de o associado ficar com a habitação no fim. São as medidas orientadas à aquisição/arrendamento de habitação a custos acessíveis e “acesso a habitação em regime de renda resolúvel”, como se lê no programa.

Fernando Amaro apresentou ainda a meta de transformação digital e as metas de sustentabilidade (ESG) que serão integrados na gestão. Serão criados comités de acompanhamento da sustentabilidade.

A lista A tem no seu programa ainda o reforço de proteção face aos riscos de saúde, centrados no Cartão Montepio Saúde e na rede de parceiros da Associação, em programas de medicina preventiva e apoio aos mais vulneráveis e na ampliação das respostas e serviços assegurados pela Residências Montepio – Serviços de Saúde.

Virgílio Lima apresentou ainda Alípio Dias e Luís Patrão como administradores não executivos caso a lista ganhe as eleições no próximo dia 17 de dezembro.

 

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