Nações Unidas vão questionar Emirados Árabes Unidos sobre detenção da princesa Latifa

A princesa Latifa, filha do emir do Dubai, acusa o seu pai de a manter detida há três anos desde que tentou fugir do país em 2018.

As Nações Unidas vão questionar os Emirados Árabes Unidos sobre a detenção da princesa Latifa, filha vão investigar o desaparecimento e a detenção da princesa Latifa, filha do Emir do Dubai, após surgirem novos vídeos da princesa onde denuncia que continua presa por tentar fugir do Dubai em 2018, revela a “BBC” que teve acesso aos vídeos.

Latifa acusa o seu pai de a manter presa contra a sua vontade há já três anos. O progenitor da princesa é Mohammed bin Rashid Al Maktoum: emir do Dubai, vice-presidente dos Emirados Árabes Unidos e um dos chefes de Estado mais ricos do mundo.

“Estou preocupada com a minha segurança e com a minha vida”, disse a princesa num vídeo partilhado pela “BBC”, onde sustenta que não sabe se irá “sobreviver a esta situação”. Segundo a filha do Emir, existem cinco polícias no exterior da villa onde está presa e duas polícias no interior, de forma a vigiar Latifa e impedi-la de sair.

O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos disse à BBC que irá questionar os Emirados Árabes Unidos sobre a princesa Latifa, sendo que um grupo de trabalho da ONU sobre detenção arbitrária pode vir a lançar uma investigação ao caso após analisar mais detalhadamente os vídeos que vieram agora a público.

Num vídeo gravado ainda antes de desaparecer, em 2018, a princesa denunciava que não tinha permissão para conduzir, viajar ou sair da cidade do Dubai. O Emir do Dubai, Mohammed bin Rashid Al Maktoum, tem sido acusado por vários ativistas de direitos humanos de construir um sistema judicial que discrimina as mulheres e onde não há tolerância.
Latifa tentou fugir do Dubai em fevereiro de 2018 com a ajuda de alguns amigos, mas após abandonar o Dubai, foi capturada por forças de segurança do pai a bordo de um barco a 30 milhas da costa da Índia, tendo regressado a bordo de um avião.

A tentativa de fuga foi realizada com a ajuda de uma amiga sua, Tiina Jauhiainen, com quem a princesa conseguiu manter comunicações já depois de presa através de um telefone secreto que entretanto foi confiscado.

O destino final da princesa seria os Estados Unidos da América, onde Latifa ia tentar pedir asilo político para se afastar do pai. “Não quero ir para o Dubai, quero asilo. Estava em águas internacional, devem deixar-me ir”, disse Latifa al Maktoum, segundo relatos dos amigos com quem tinha fugido, depois de ter sido injetada com um tranquilizante.

O Emir do Dubai veio a público, nos dias seguintes a ser conhecido que mantinha a filha em cativeiro, garantir que agiu no melhor interesse da filha, com os Emirados Árabes Unidos a assegurar que a princesa estava segura aos cuidados da família.

O primeiro-ministro do Dubai tem enfrentado duras críticas desde que uma das suas seis mulheres, a princesa Haya Bint Al Hussain, fugiu para Londres, em 2019, com os dois filhos após ter conhecimento de que o marido aprisionou a filha mais velha.

Nos vídeos expostos nas redes sociais, a princesa Latifa afirma estar a gravar o vídeo na casa de banho por ser “a única porta que tem uma tranca”. “Todas as janelas estão trancadas. Nem posso sair para apanhar ar fresco”, denunciou a mulher agora com 35 anos.

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