“O mercado pronunciou-se”, diz o governo chinês numa crítica clara às políticas protecionistas norte-americanas que já mereceram retaliação de Pequim. As tarifas anunciadas por Trump lançaram os índices mundiais em queda e a resposta chinesa exacerbou ainda mais a tendência, com os líderes da segunda maior economia do mundo a exortarem os EUA a “pararem de fazer as coisas erradas”.
Numa publicação na rede social Facebook, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun, considerou que o mercado se havia pronunciado após o anúncio de tarifas acima do esperado pelos EUA, que incluíram 34% nos bens chineses (que somam aos 20% já impostos). Ilustrando a publicação com um gráfico dos índices norte-americanos em queda, o responsável chinês deixou críticas à escolha de Trump.
“Está na altura de os EUA deixarem de fazer as coisas erradas e resolverem as suas diferenças com os parceiros comerciais numa consulta entre pares”, lia-se na conta do porta-voz de Pequim.
Os mercados globais entraram em queda após o anúncio de quarta-feira do presidente norte-americano, que decretou tarifas “recíprocas” baseadas numa fórmula economicamente desprovida de nexo, destacam os analistas. No caso chinês, Trump também acabou com uma isenção de tarifas para importações de baixo valor vindas da China, afetando gigantes do retalho online.
O S&P500 caiu quase 6% na sexta-feira, perdendo perto de 5 biliões de dólares nos dois dias após o anúncio de Trump, enquanto o Nasdaq recuou 5,8% e o Dow Jones desvalorizou 5,5% naquele que foi o pior dia nos mercados desde a crise pandémica.
Em resposta, a China impôs igual taxa em todos os bens norte-americanos à entrada do país, além de ter impedido a exportação de frango e sorgo de alguns dos maiores produtores dos EUA e limitado a exportação de terras raras e materiais críticos.
Trump já garantiu que não irá mudar de política, falando numa “excelente altura para ficar rico” numa publicação na sua plataforma, a Truth Social. Ainda assim, a UBS alertou esta sexta-feira para uma probabilidade de crescente de os EUA entrarem numa “recessão significativa” caso não haja alterações à política de tarifas dentro de três a seis meses, enquanto o JPMorgan projeta agora uma probabilidade de 60% de uma recessão na economia global, revendo em alta a anterior estimativa de 40%.
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