O grupo BCP registou lucros de 775,9 milhões de euros até setembro, mais 8,7% que um ano antes. A rentabilidade medida pelo ROE (return on equity) ascende a 14,5%.
O resultado líquido em Portugal aumentou 8% para 606 milhões, sendo que na área internacional o lucros ascendeu a 230,7 milhões de euros nos nove meses, subindo 19,8% face ao período homólogo, com a ajuda do polaco Bank Millennium que reportou lucros equivalentes a 202 milhões de euros, a crescerem 56,4%, apesar dos encargos de 380,22 milhões de euros associados à carteira de créditos hipotecários em francos suíços (dos quais 310,42 milhões de euros em provisões). Este crédito após provisões para riscos legais já só pesa 0,8% de todo o crédito do banco polaco detido em 50,1% pelo BCP.
A margem financeira consolidada cresce 2,6% para 2.167 milhões, com as comissões a subirem 4% para 629 milhões. Já os custos agravam 9,2% para 1.032,5 milhões de euros.
Em Portugal a margem financeira caiu 0,9% para 994,7 milhões.
As imparidades e provisões do grupo caem 14,4%, com as imparidades para crédito a recuarem 15,7%.
Os custos em Portugal com contribuições do setor bancário somou 38,7 milhões de euros nos nove meses de 2025, dos quais 10,2 milhões para o Fundo de Resolução nacional. A contribuição sobre o setor bancário ascendeu a 28,6 milhões.
Já o Adicional de Solidariedade que foi considerado inconstitucional e por isso o BCP dos 30,6 milhões pagos, já contabilizou um reembolso de 18,6 milhões de euros registado em “outros proveitos”, faltando 12 milhões que serão registados quando houver decisões favoráveis nos tribunais.
O rácio de eficiência (cost-to-income) piorou para 27% no grupo e para 34% em Portugal. Quando questionado sobre a subida de custos e degradação da eficiência, Miguel Maya explicou que a sua preocupação “não é a subida dos custos, mas sim o desperdício”. Pois se os custos subirem para criar valor, são um investimento. “Quando eu estou a fazer atualizações de investimentos para transformar o Banco, para que seja mais eficiente no futuro e este custo para mim é um investimento”, disse.
Miguel Maya, CEO do banco, destacou os “sólidos rácios de capital, CET1 de 15,9% e rácio de capital total de 19,9%” e os indicadores de liquidez “significativamente acima dos requisitos regulamentares. LCR: 321%; NSFR: 180% e LtD: 68%)”, com os a ativos disponíveis para financiamento junto do BCE a ascenderem a 29,1 mil milhões de euros.
No balanço, os recursos totais de clientes no Grupo BCP crescem 8,6% face a setembro de 2024 para 109,5 mil milhões de euros e crédito a clientes aumenta 4,9% para 61,5 mil milhões de euros, com o malparado (NPE) a reduzir-se 17,2%.
Em Portugal, o crédito a clientes aumentou 7,2% (+2,9 mil milhões de euros) e os recursos totais de clientes aumentaram 6,3% (+4,4 mil milhões de euros) para 74 mil milhões. O crédito performing em Portugal cresceu 3,10 mil milhões (+8%).
Na habitação o crédito performing subiu 9,7% em Portugal.
A qualidade da carteira de crédito continuou a melhorar com os ativos não produtivos a registarem uma queda relevante face a setembro de 2024, que se traduziu numa redução de 332 milhões de euros em NPE, 71 milhões de euros em fundos de reestruturação e 19 milhões de euros em imóveis recebidos por recuperação. O rácio de NPE é de 1,6% (sendo o de NPE de crédito de 2,6%).
O BCP destaca que o custo do risco do Grupo situou-se em 31 p.b. nos primeiros nove meses de 2025, que compara com 38 p.b.5 no período homólogo do ano anterior. Em Portugal, o custo do risco situou-se nos 33 p.b. em linha com o período homólogo do ano anterior.
O banco liderado por Miguel Maya está a cumprir com as metas do plano estratégico 2025-2028. O volume de negócios fixou-se em 171 mil milhões de euros e a meta é de superar os 190 mil milhões de euros. Em Portugal o valor ascende a 117 mil milhões e a meta de 2028 é 120 mil milhões de euros.
O número de clientes fixou-se nos 7,2 milhões e 2,9 milhões só em Portugal, quando as metas são mais de 8 milhões
e mais 3 milhões, respetivamente.
Na lista dos destaques está ainda o aumento de 9% dos clientes mobile que representam 74% da base de clientes do banco em setembro de 2025.
O desempenho da ação desde setembro de 2024 até ao fim de setembro de 2025 foi de 85,8% e a valorização do polaco Bank Millenium foi de 65,9%.
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