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Pressão nas cadeias de abastecimento compromete objetivos de negócio de 72% das multinacionais

Acesso limitado ao capital, atrasos ou incumprimentos por parte dos clientes e no comércio internacional são algumas das barreiras identificadas pelo Relatório Global de Riscos da Coface, baseado em inquéritos a multinacionais de diversos setores e regiões em todo o mundo.
19 Janeiro 2026, 11h52

Num contexto de incerteza marcado pela desaceleração do crescimento económico mundial, pelo aumento das insolvências empresariais e por um ambiente geopolítico complexo, os líderes empresariais enfrentam desafios significativos para proteger a sua atividade comercial e sustentar os seus planos de desenvolvimento. É esta a principal conclusão do mais recente Relatório Global de Riscos da Coface, que analisa as prioridades e estratégias de 200 grandes multinacionais de diferentes setores e regiões do mundo.

O cumprimento dos objetivos empresariais está cada vez mais condicionado por fatores interligados que dificultam a operação e o crescimento das empresas, revela ainda o relatório da especialista global em gestão de risco de crédito. Problemas na cadeia de abastecimento, dificuldades de acesso ao capital e atrasos nos pagamentos surgem muitas vezes de forma simultânea, criando um efeito multiplicador sobre a atividade das organizações.

Entre as empresas que reportam interrupções logísticas, 79% enfrentam obstáculos no acesso ao financiamento e 75% sofrem atrasos nos recebimentos, enquanto aquelas menos expostas a falhas na cadeia de abastecimento registam valores significativamente inferiores (45% e 48%, respetivamente). “Quando a operação se encontra sob pressão, o financiamento e os recebimentos tornam-se igualmente mais complexos”, concluem os autores do estudo.

Peso dos atrasos nos pagamentos

O impacto dos atrasos nos pagamentos vai muito além da tesouraria. Segundo a Coface, 63% dos executivos indicam alterações no fluxo de caixa devido a este problema, 55% dedicam tempo e recursos significativos à recuperação de créditos em atraso, e 53% já tiveram de adiar as próprias obrigações junto de fornecedores.

As consequências não se ficam pela liquidez. Quase metade das empresas (49%) reduz investimentos, 48% assumem custos financeiros mais elevados e 42% recorrem a empréstimos para contornar os atrasos. Setores como transportes e infraestruturas são particularmente vulneráveis, com 55% das empresas nesta área a sofrerem deste fenómeno, valor que sobe para 56% na América do Norte.

O relatório sublinha, assim, a necessidade de reforçar mecanismos de prevenção e resposta, recorrendo a serviços integrados de gestão do risco comercial — como seguro de crédito, informação comercial e cobrança de dívidas — para proteger a liquidez e tomar decisões mais seguras.

Maior rigor financeiro e disciplina no crédito

Num cenário global incerto, as multinacionais têm vindo a reajustar prioridades, reforçando políticas financeiras e de crédito. Entre os objetivos estratégicos apontados pelo relatório destacam-se a redução de custos e aumento da eficiência (40%), disciplina na gestão do crédito (34%), crescimento de quota de mercado (32%), estabilidade e continuidade do negócio (32%) e mitigação do risco de incumprimento por clientes (28%).

Existem diferenças regionais marcantes. Na América do Norte, 48% das empresas priorizam a disciplina na gestão do crédito, enquanto 42% têm ambições de expansão internacional e 32% de crescimento interno. Na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), estas prioridades aparecem de forma mais equilibrada, com cerca de 27% em disciplina de crédito e expansão internacional. Já na Ásia-Pacífico, apenas 31% destacam a gestão do crédito, com a expansão internacional e nacional a surgirem em segundo plano (14% cada).

O estudo conclui que a resiliência empresarial dependerá cada vez mais do reforço da disciplina financeira e da profissionalização da gestão do risco comercial. Num contexto de incerteza, a prevenção e a gestão rigorosa do crédito são determinantes para garantir a continuidade e a sustentabilidade da atividade.

Coface: 80 anos a apoiar empresas

Fundada há oito décadas, a Coface opera em cerca de 200 mercados, apoiando 100 mil clientes com soluções que incluem seguro de crédito comercial, factoring, cobrança de dívidas e seguro de caução. Em 2024, contava com 5.236 colaboradores e registou um volume de negócios de aproximadamente 1,8 milhões de euros.


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