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Confiança do consumidor nos EUA no mínimo desde 2014

As tarifas comerciais, a incerteza política e geopolítica, os juros ainda elevados e o aumento dos preços das casas reforçaram a cautela dos consumidores, resultando numa redução de compras de bens duradouros e imóveis.
30 Janeiro 2026, 09h04

A confiança do consumidor nos EUA, divulgada pelo Conference Board, caiu em janeiro para o nível mais baixo em mais de 11 anos e meio, refletindo o enfraquecimento do mercado de trabalho e o elevado custo de vida. A perceção sobre a oferta de emprego deteriorou-se fortemente, com menos consumidores a considerarem existir “abundância” de postos de trabalho e mais a afirmarem dificuldade em encontrar emprego. A estagnação do rendimento real e a diminuição da taxa de poupança limitaram a capacidade de consumo. A taxa de poupança desceu de 6,4% em janeiro de 2024 para 3,5%, o valor mais baixo desde 2022. Os preços elevados dos alimentos, energia e habitação continuaram a pressionar os orçamentos familiares, agravando o pessimismo. As tarifas comerciais, a incerteza política e geopolítica, os juros ainda elevados e o aumento dos preços das casas reforçaram a cautela dos consumidores, resultando numa redução de compras de bens duradouros e imóveis.

É certo que as ofertas de emprego têm diminuído substancialmente, mas as empresas não estão a despedir, como evidenciam os pedidos semanais de subsídio de desemprego nos EUA, que se mantiveram estáveis. A inteligência artificial poderá estar, em parte, a absorver a criação de novos empregos, enquanto aumenta a produtividade da economia, que cresceu 4,9% no terceiro trimestre, o valor mais elevado desde 2023. Esta evolução ajuda a explicar as perspetivas de um forte crescimento do PIB no quarto trimestre do ano passado, de 4,2%, segundo o GDPNow da Fed de Atlanta, bem como os lucros das empresas, mas penaliza quem vive dos rendimentos do trabalho, justificando a queda da confiança do consumidor. Os desequilíbrios da economia norte-americana agravam-se e já não se limitam aos défices gémeos, orçamental e externo, nem à forte emissão monetária da Fed nos últimos 15 anos, estendendo-se também à distribuição da riqueza, cada vez mais dependente da forte valorização dos mercados acionistas, mas limitada a uma parte da população, não sendo suficiente para compensar a perda de dinamismo dos rendimentos do trabalho, penalizando a confiança do consumidor. O consumo continua a representar cerca de 70% do PIB dos EUA na ótica da despesa. Um EUA a duas velocidades?

O ouro e a prata voltaram esta semana aos máximos históricos, atingindo os 5595 dólares e 121,65 dólares a onça, com valorizações de 10% e 14%, respetivamente, num movimento associado ao debasement trade, impulsionado pela perda de confiança nas moedas fiduciárias, sobretudo no dólar, expansão monetária e défices elevados. O principal metal industrial, o cobre, registou igualmente máximos, alcançando os 6,58 dólares por libra (453,6 gramas), uma valorização semanal de 11%. O petróleo valorizou cerca de 10%. Os mercados acionistas também alcançaram novos máximos, com o S&P 500 a ultrapassar pela primeira vez os 7 000 pontos. No entanto, a semana acabou por ser negativa, sobretudo para o setor tecnológico, após os resultados de algumas hyperscalers ligadas à inteligência artificial. A Microsoft foi penalizada pelo forte aumento do investimento em IA e pelo abrandamento do crescimento do Azure, o que pressionou as margens no curto prazo. A Meta, apesar de resultados sólidos, caiu devido ao aumento significativo dos custos e à revisão em alta do investimento em data centers, reacendendo receios quanto à disciplina de capital. Estas correções penalizaram sobretudo o índice tecnológico Nasdaq 100.

A bitcoin está perto de mínimos de um ano, não acompanhando as subidas das várias classes de ativos, mas acompanhado sempre a correção dos mercados, sobretudo do setor tecnológico ligado à inteligência artificial. A correção das empresas que ainda não geram rendimento, muitas delas a aumentar o endividamento, tem penalizado o setor. A Oracle, por exemplo, acumula uma queda de quase 20% desde o início do ano, refletindo a pressão sobre ativos sem geração imediata de cash-flow, como a própria bitcoin.


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