A Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) alerta para a necessidade de acelerar o desenvolvimento das redes elétricas inteligentes em Portugal e reforçar a integração de energias renováveis, apontando lacunas ao nível da monitorização e controlo das instalações elétricas.
As conclusões constam do Relatório de Monitorização das Redes de Transporte e de Distribuição, divulgado hoje pelo regulador, que analisa o desempenho dos operadores do setor, REN e E-Redes, entre 2023 e 2024.
Segundo o documento, “pese embora a evolução positiva que a análise revela para cada uma das dimensões avaliadas, o ritmo da transição energética, a crescente complexidade do sistema e a manifesta necessidade de resiliência e segurança reforçam a importância de aprofundar a inteligência da rede nas diversas vertentes”.
O relatório aborda ainda o apagão ibérico de 28 de abril de 2025, considerando que o incidente “evidenciou a necessidade de reforçar a observabilidade e controlabilidade das instalações ligadas à rede”.
Foram identificadas limitações na integração da produção descentralizada e nos planos de deslastre automático de cargas, especialmente face a consumidores de elevada potência, como ‘data centers’ e pontos de carregamento de veículos elétricos.
“A transição para um sistema mais sustentável depende, em grande medida, da capacidade de as redes acomodarem essas formas de produção descentralizada, integrarem novas soluções de armazenamento e, ao mesmo tempo, garantirem a estabilidade e a qualidade do fornecimento de energia elétrica”, lê-se no relatório.
A ERSE destaca ainda que a inteligência das redes (‘smart grids’) é “condição essencial para viabilizar os objetivos de descarbonização: só através da digitalização, da monitorização em tempo real ou quase tempo real, e de mecanismos de gestão dinâmica da procura e da oferta será possível otimizar o uso dos recursos energéticos, reduzir perdas, facilitar a integração de veículos elétricos e promover a participação ativa dos consumidores”.
Entre as recomendações, a ERSE sugere repensar os planos de deslastre automático de cargas e assegurar requisitos de tensão e potência reativa nas instalações de produção mais significativas.
O regulador concluiu ainda que a gestão inteligente das redes deve assentar também na participação ativa dos respetivos utilizadores.
“Esta participação deve ser incentivada, recompensando os utilizadores pelos serviços prestados, e facilitada, reformulando os procedimentos e requisitos para se adaptarem a novos tipos de agentes”, defende.
Nesse sentido, sugere que cabe ao mercado e aos agentes “o desenvolvimento de ofertas comerciais que façam a intermediação entre os utilizadores e os operadores”.
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