Esta quadra festiva trouxe consigo mais do que luzes e rabanadas: revelou também como as pessoas lidam com os presentes que não correspondem às suas expetativas. Todos os anos, milhares de prendas recebidas acaba no mercado de segunda mão ou mesmo nas mãos de outra pessoa. Este Natal não será diferente. Segundo dados divulgados pelo The Portugal News, com base num estudo da MuP Research em parceria com a Wallapop, cerca de 40% dos portugueses admitem a intenção de revender presentes de Natal de que não gostaram. E, 24% considera voltar a oferecê-los a outra pessoa, enquanto 37% dos inquiridos prefere guardá-los, mesmo sem intenção de os usar no futuro.
Estes hábitos portugueses enquadram-se numa tendência mais ampla na Europa, onde os consumidores estão cada vez mais pragmáticos e ecológicos no período pós-Natal. Um estudo do grupo Adevinta, citado pela Euronews e realizado junto de cerca de cinco mil consumidores em vários países, indica que dois terços dos inquiridos receberam pelo menos um presente novo que não lhes foi útil ou do qual não gostaram. Apesar disso, apenas uma minoria (23%) optou por vender esses artigos online, sendo mais comum guardá-los (33%) “para um eventual uso futuro” ou oferecê-los mais tarde a outra pessoa (30%). Apenas 6% admitiram deitá-lo fora.
A mesma investigação aponta ainda para um aumento do interesse pela compra de produtos em segunda mão durante o período natalício. “Mais de metade dos consumidores europeus ponderou adquirir artigos usados, sobretudo por razões económicas e ambientais. Poupar dinheiro e reduzir o impacto ambiental surgem como as principais motivações, seguidas pelo gosto por objetos com caráter vintage ou pela preferência por compras locais.”
Embora o recommerce esteja a ganhar terreno, persistem algumas reservas. Uma parte considerável dos consumidores continua a associar os presentes novos a maior valor simbólico, e muitos admitem sentir desconforto ao oferecer artigos usados (40%), apesar de reconhecerem as vantagens dessa opção. Este ano, quem ponderou este tipo de compras destacou ainda o gosto por oferecer objetos retro ou nostálgicos e a preferência por adquirir produtos localmente.
Em Portugal, esta dinâmica é reforçada pelo hábito de reorganizar a casa com regularidade. Segundo a Wallapop, 83% dos portugueses revê os objetos que possui pelo menos uma vez por ano, vendendo aquilo que já não utiliza. Roupas, livros, dispositivos eletrónicos e artigos de lazer estão entre os produtos mais frequentemente colocados à venda, transformando presentes indesejados numa oportunidade de rendimento extra.
No fundo, o destino das prendas de Natal que não correspondem às expetativas vai além de uma simples decisão individual. Trata-se de um reflexo de mudanças mais profundas nos valores sociais, onde o pragmatismo, a sustentabilidade e a gestão consciente dos recursos ganham cada vez mais espaço. O que antes podia ser visto como falta de etiqueta é hoje, para muitos, uma escolha racional — e alinhada com os desafios económicos e ambientais atuais. Por isso, se deu meias ou pijamas não se admire de os ver à venda por uma pechincha numa loja de artigos em segunda mão, afinal estes foram os itens que os portugueses mencionaram que mais temiam ver debaixo da árvore de Natal.
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