A frustração no trabalho é razão para mudar de emprego?

As empresas precisam de assumir a responsabilidade de reconhecer o descontentamento potencial dos seus colaboradores, mas também encontrar formas eficientes de prevenir e corrigir a situação.

Para muitos trabalhadores, as frustrações no local de trabalho e a desmotivação vão muito além das oito horas de trabalho, de segunda a sexta-feira, resultando num ciclo vicioso de insatisfação no trabalho e empregos de curto prazo. Atualmente, cerca de um quarto dos trabalhadores em Portugal (23%) sente-se frustrado no seu novo local de trabalho durante os primeiros seis meses, enquanto que 84% dedicam tempo a pensar num novo emprego.

Alcançar o tão desejado equilíbrio entre trabalho-vida pessoal tornou-se cada vez mais difícil ao longo da última década, devido a um afastamento das tradicionais horas de trabalho das 9 às 5 e a um estilo de vida mais desafiante para muitos. Como resultado, ao não tornar os locais de trabalho mais adequados a períodos temporais longos, as empresas põem em risco os níveis de retenção.

No entanto, embora os índices de frustração sejam preocupantes, as soluções necessárias para contornar este cenário não têm de ser drásticas. A Staples pesquisou recentemente os parâmetros comuns de satisfação – ou insatisfação – dentro dos ambientes de escritório. Descobrimos que, na maioria das vezes, a frustração vocacional deriva de questões que envolvem o local de trabalho, e não tanto do próprio negócio ou função.

A influência da iluminação, do ruído, da temperatura, da fraca ergonomia, aparelhos defeituosos e com falhas de acesso não devem ser por si só razões para a procura de um novo emprego.

Mas quando algumas destas questões surge, durante um período de tempo, afetando um determinado número de trabalhadores, juntamente com a falta de eficiência no seu local de trabalho, as consequências podem ser desastrosas.

Ainda mais preocupante, numa perspetiva social mais alargada, é o facto de os trabalhadores que procuram um melhor cenário noutro emprego virem, muito provavelmente, a experimentar a mesma insatisfação no próximo local de trabalho.

Isso remete para um desafio muito mais amplo tem de ser abordado e não apenas pelos trabalhadores. As empresas precisam de assumir a responsabilidade de reconhecer o descontentamento potencial dos seus colaboradores, mas também encontrar formas eficientes de prevenir e corrigir a situação.

Frustrações diárias no trabalho

Ao identificar o que influencia o bem-estar no local de trabalho, uma empresa até pode ter os gestores mais liberais e generosos, os eventos sociais nas tardes de sexta-feira e convívios à hora do café que estes vão apenas satisfazer necessidades de curto prazo. Se as condições de trabalho não responderem aos desafios diários, não haverá cesta de fruta, ou partilha de cupcakes gratuitos capaz de influenciar a decisão de um trabalhador descontente de procurar outro emprego.

Aspeto como a iluminação e a temperatura foram referidos com frequência por trabalhadores em toda a Europa na pesquisa; um quarto dos entrevistados destacou estes dois aspectos, enquanto 44% afirmaram que os problemas de temperatura contribuem para as frustrações diárias no trabalho.

A falta de espaço pessoal (20%), bem como a frequente interferência de ruído (32%), foram fatores comuns adicionais destacando-se mais uma vez as necessidade pessoais, em oposição a um desagrado geral pelo escritório ou a empresa em geral.

Quase um terço dos entrevistados (30%) concordou que a organização não investe o suficiente na manutenção e melhoria do seu local de trabalho; e ao combinar essa percepção com uma maioria de 87% que expressa uma ligação direta entre a forma como as pessoas se sentem no trabalho e a qualidade do seu local de trabalho, o ciclo de descontentamento está completo.

Resolver reclamações de cariz pessoal

Na maioria dos casos, as empresas em causa podem implementar medidas corretivas simples. Trata-se de criar um local de trabalho agradável, confortável e produtivo para cada indivíduo, não necessariamente para o escritório no seu todo.

A temperatura ambiente pode ser adaptada ao local de trabalho pessoal de cada um, através de investimento em aparelhos de aquecimento/arrefecimento; a disposição das mesas pode ser melhor alinhada de acordo com a iluminação no escritório; e algo tão simples como sejam divisórias de mesa podem ajudar a recuperar a privacidade, ao mesmo tempo, que bloqueiam as distrações do exterior.

Ao abordar as reclamações sobre o local de trabalho numa vertente mais personalizada, as empresas podem melhorar o bem estar mental dos seus trabalhadores (92%), aumentar a produtividade (92%) e, o mais importante, garantir uma retenção maior e mais eficiente de recursos humanos (87%), no futuro.

Talvez o mais importante a registar é que 88% dos trabalhadores em toda a Europa acreditam que existe uma ligação entre a qualidade do local de trabalho e o sucesso de uma organização no seu todo. O que significa que, quando estiver atento às necessidades pessoais dos seus trabalhadores, estará também a contribuir para que se sintam valorizados, e certamente essa valorização se vai traduzir num retorno para a empresa em geral.

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