A estrela da praça nacional (que não faz parte do PSI), foi a Impresa, que fechou a ganhar 96,83%, com os títulos a terminarem a sessão nos 0,248 euros, depois de ter admitido que está a negociar com a MFE (MediaForEurope), grupo da família Berlusconi, a venda de uma participação no grupo de media português. Depois de terem estado suspensas, as ações da dona da SIC e do Expresso chegaram ontem a mais do que duplicar o valor durante a sessão, disparando 103,17% para 0,256 euros, o valor mais elevado desde abril de 2022. Já o Grupo MFE encerrou a sessão com uma subida de 1%.
Num comunicado divulgado no sábado pela CMVM, a Impresa refere que está em negociações com o grupo italiano MFE para a aquisição de “uma participação relevante” na dona da SIC e do Expresso. Segundo o jornal online “Eco”, estará mesmo em jogo a venda de uma participação de 75% da Impreger, holding que controla 50,31% da Impresa – que é detida pela Balseger (holding da família Balsemão).
Na nota, divulgada pela CMVM, lê-se que, “face às notícias divulgadas na comunicação social, a Impresa informa que lhe foi comunicado pelo seu acionista maioritário que este se encontra a desenvolver contactos, em exclusividade, com o grupo MFE com vista à avaliação de potenciais operações societárias para a aquisição de uma participação relevante na Impresa, embora não exista, nesta data, qualquer acordo vinculativo entre o acionista e a MFE para o efeito”.
O grupo disse ainda que “caso venha a existir informação privilegiada, será feita comunicação ao mercado”. A notícia foi avançada originalmente pelo jornal italiano “Il Messaggero”, num artigo com o título “MFE relança a expansão, ‘descongelando’ o dossiê português da Impresa SGPS’ [‘MFE rilancia l’espansione scongelando il dossier portoghese di Impresa SGPS’, na versão original], que revela a vontade dos italianos em avançarem com a compra de uma posição na Impresa.
Em 2024, a Impresa registou receitas totais de 182,3 milhões de euros, um aumento de 0,2% face ao ano anterior. O EBITDA subiu 19,5%, para 18,4 milhões de euros. Porém, a empresa encerrou o ano com um resultado líquido negativo de 66,2 milhões de euros, influenciado pela constituição de imparidades. Excluindo esse impacto, o resultado líquido ajustado foi negativo em 5,5 milhões de euros, depois de um prejuízo de dois milhões em 2023.
Recorde-se que o fundador do Expresso e da SIC no podcast “Memórias”, baseado no livro com o mesmo título, recusa ser minoritário na Impresa. “Eu cá estarei enquanto puder e me sentir útil na torre de comando para ajudar na difícil navegação. Se um dia, que espero não chegue, concluir que não há outro remédio, cá estarei também para tomar decisões drásticas. Isto é, com toda a franqueza, para vender, ficando claro que prefiro vender a aceitar uma solução minoritária, mesmo que tentem disfarçá-la com presidências honorárias ou coisas do género. Quando eu morrer, o assunto, como previsto e tratado, será resolvido no âmbito da Balsager”, afirmou Francisco Pinto Balsemão no podcast “Memórias”.
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