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Agência Internacional de Energia recomenda a Moçambique acelerar acesso a energia limpa

Ao apresentar a análise da política de energia de Moçambique durante a Semana de Energia e Clima na CPLP, que decorre até sexta-feira em Maputo, a AIE apontou para a necessidade de “acelerar o acesso a soluções de cozinha limpa e eletrificação por meio de políticas adaptadas, subsídios direcionados e coordenação mais forte entre órgãos públicos”.
20 Outubro 2025, 17h18

A Agência Internacional de Energia (AIE) recomendou hoje a Moçambique que acelere o acesso a energia limpa para cozinha e avance com a eletrificação para melhorar a vida dos cidadãos.

Ao apresentar a análise da política de energia de Moçambique durante a Semana de Energia e Clima na CPLP, que decorre até sexta-feira em Maputo, a AIE apontou para a necessidade de “acelerar o acesso a soluções de cozinha limpa e eletrificação por meio de políticas adaptadas, subsídios direcionados e coordenação mais forte entre órgãos públicos”.

Na última década Moçambique quase duplicou a taxa de eletrificação, no entanto, mais de metade da população ainda não tinha eletricidade em 2022, e o acesso a [energia para] cozinhas limpas é extremamente baixo, com apenas 7% da população a utilizar soluções modernas.

Este organismo internacional quer que Moçambique fortaleça os seus sistemas de planeamento e dados referentes a energia, incluindo a adoção de ferramentas de monitoria transparentes no uso de recursos energéticos, referindo que visam “atender a uma população em rápido crescimento”.

“Desenvolver roteiros de investimento específicos para o setor para mobilizar financiamento privado e concessional para projetos de energia, apoiados por tarifas previsíveis, regulamentos claros e instrumentos de redução de risco” é outra recomendação da Agência Internacional de Energia.

Moçambique continua com alta percentagem de energia que vem da hidroelétrica, com a AIE a apontar que outras fontes de energias renováveis “permanecem em grande parte inexploradas”.

O país pretende aproveitar esse potencial significativo para impulsionar o crescimento económico, a industrialização e a exportação de energia limpa, e “isso inclui a expansão da mineração e do processamento para que Moçambique se beneficie da crescente demanda global por tecnologias de energia limpa e minerais essenciais”, refere-se no documento.

A análise da AIE mostra que “as pequenas redes e sistemas solares residenciais autónomos serão essenciais para permitir o acesso à eletricidade a um custo mais baixo nas zonas rurais, mas são necessários mais esforços para estimular o desenvolvimento do mercado nestes setores, que continuam dependentes de financiamento público”.

A Agência indica ainda que a estratégia moçambicana de Transição Energética, aprovada em 2023, cujo objetivo é acelerar o acesso universal à energia, ainda enfrenta desafios referentes às infraestruturas

“O ambiente de investimento em Moçambique é prejudicado pelo alto custo do capital, o que restringe o acesso a financiamento para projetos e dificulta a redução da lacuna de infraestrutura energética do país. Embora Moçambique já exporte GNL [Gás Natural Liquefeito], grandes projetos foram adiados e os benefícios esperados ainda não se materializaram”, aponta-se no mesmo documento.


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