AICEP lança programa para capacitar as exportações online das empresas nacionais

A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AICEP) lançou um programa destinado a preparar e a capacitar as empresas nacionais para beneficiarem das oportunidades do comércio eletrónico cujo crescimento foi acelerado pela pandemia.

João Dias, vogal executivo do AICEP, explicou que o “Exportar Online” (EOL) é um programa que tem por objetivo “preparar as empresas a aproveitarem a oportunidade” do comércio eletrónico. O responsável adiantou que a iniciativa se deveu para mitigar uma a falta de preparação para explorar o comércio digital de algumas empresas portuguesas.

O responsável falava durante um painel que analisou os mercados e os setores de atividade económica que mais beneficiarão com a digitalização, no âmbito da edição do Portugal Exportador 2020, que decorreu esta quarta-feira online e que contou com o Jornal Económico como media partner.

Para o EOL, a AICEP fez um programa de capacitação das empresas e procurou identificar as áreas em que as empresas portuguesas não estão preparadas.

Mais do que isso, a AICEP fez ainda parcerias com marketplaces “que são os centros comerciais críticos para o posicionamento das nossas empresas”, que incluem, entre outras, a Alibaba, a JD.Com ou o El Corte Inglés, disse João Dias.

A entidade está ainda trabalhar num “projeto inovador” que funciona como um “agregador da oferta portuguesa e pôr um conjunto de empresas de um setor dentro de um markplace”, anunciou o responsável. “Já começámos com o setor agroalimentar e a ideia é alargar a outros setores”, referiu.

João Dias vincou a ideia de como o e-commerce poderá ser importante para as exportações das empresas portuguesas. “Já estava em ebulição e, a cada quatro ou cinco anos, duplicava e estima-se que nos próximos anos se mantenha” esta tendência de crescimento do comércio digital, citando um inquérito que concluiu que 49% dos internautas mundiais responderam que vão comprar online mais frequentemente.

Para as empresas portuguesas isto é uma grande oportunidade exportadora, na medida em que o crescimento do e-commerce transfronteiriço “é ainda maior”, explicou o vogal da AICEP

A pandemia, claro, veio acelerar a digitalização do comércio, tendo havido setores que beneficiaram bastante desta tendência, nomeadamente o agroalimentar, que cresceu 40% no digital, e o setor da moda, que expandiu 26%.

As oportunidades do e-commerce não se limitam ao segmento B2C, contrariamente ao que se pode pensar. O B2B também é”está cada vez mais presente nos canais digitais” e tem muito a beneficiar com o comércio eletrónico. “Se os marketplaces B2C são centros comerciais digitais, os marketplaces B2B podem ser vistos como grandes feiras de negócio”, realço João Dias.

Para as empresas nacionais conseguirem maximizar a presença online, têm de saber, antes de tudo, saber trabalhar o marketing digital. “A questão do marketing digital é essencial”, explicou João Maia, da Associação Portuguesa dos Industriais de Calçado, Componentes, Artigos de Pele e seus Sucedâneos (APICCAPS). O responsável considerou que o marketing digital é a identidade da empresa na internet e que, por isso, não pode ser objeto de outsourcing.

No entanto, João Maia vincou que “faltam marketeers digitais” no país, com as competências necessárias para aprofundar o marketing digital.

“Isto tem uma consequência para o digital. É que no digital, o cliente procura marcas, não procura produtos. Quando eu vendo e crio marcas posso posicionar-me globalmente”, adiantou. Logo, sem uma estratégia de marketing digital adequada, as empresas portuguesas poderão não conseguir no mercado eletrónico online da forma mais eficaz.

Há ainda outros obstáculos que poderão dificultar a presença online das empresas portuguesas, por exemplo, no espaço europeu.

Paulo Vila Luz, da Associação Economia Digital (ACEPI) explicou que “apesar de estarmos numa comunidade europeia, a legislação não é igual, a defesa do consumidor, o IVA nas vendas, a privacidade”, não têm uma legislação homogénea. O responsável defende, por isso, que antes de crescer para o mundo, uma empresa que dá os primeiros passos no digital deverá ter “uma estratégia crescente”.

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