Airbnb está a “destruir” capitais europeias. Lisboa é uma das vítimas, diz Financial Times

O Airbnb e HomeAway são duas das plataformas mais usadas pelos turistas. O jornal Financial Times considera que as cidades históricas estão a ser transformadas pelo negócio do arrendamento de curto prazo.

Cristina Bernardo

O arrendamento a curto prazo tem vindo a crescer entre os amantes de viagens e curiosos pelas cidades históricas europeias. E à semelhança das várias capitais afetadas por este mercado, também Lisboa teve que se adaptar.

Bruno Romão, dono de um dos últimos cafés tradicionais de Alfama, conta ao Financial Times (FT) que se adaptou às novas tendências porque diz que tudo o que existe agora são restaurantes para responder ao crescimento dos turistas no local.Um dos seus clientes mais fiéis refere. “As pessoas só querem saber de restaurantes agora”.

O dono do estabelecimento confessa que sentiu necessidade de arranjar umas mesas para servir refeições no seu café. E tal como o seu café, também a sua residência teve que se adaptar. O proprietário que morava nas redondezas do seu estabelecimento conta ao jornal que teve de sair.

Mas não foi o único. Em conversa com o FT, o presidente da Associação de Inquilinos de Lisboa e geógrafo da Universidade de Lisboa, conta que desde 1980 a população de Alfama contraiu de 20 mil habitantes para mil. Mais de 55% dos apartamentos naquela região foram transformados em alojamento local a abrigo do Airbnb e HomeAway.

O aumento do arrendamento a curto prazo afetou as cidades de todo o sul da Europa e foi responsabilizado por elevar os preços dos imóveis e enfraquecer as economias em algumas das capitais culturais do mundo, promovendo o turismo acima de tudo. O preço das rendas tem sido um dos motivos, se não o principal, que leva os moradores a fugirem para as zonas periféricas, onde os preços também são mais em conta. “Para ele [Romão] e outros cidadãos, os preços das rendas ultrapassaram os rendimentos”, escreve o Financial Times.

Mas estas plataformas de aluguer trouxeram investimentos internacionais significativos para países que, desde 2012, ainda estão a recuperar da crise da zona do euro, ressalva o Financial Times. O Airbnb afirma que criou novas oportunidades económicas para milhões de europeus e, por sua própria conta, contribuiu com 100 mil milhões de dólares à economia global no ano passado. Muitos investidores privados compraram e renovaram propriedades históricas que estavam anteriormente à beira da ruína para servirem de alojamentos.

 

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