[weglot_switcher]

Alemanha: até as fábricas de salsicha estão a fechar e mostram fragilidade da economia

Última fábrica da empresa que foi a maior fabricante de salsichas da Europa fechará até o fim de fevereiro Alemães desanimam com sequência de falências de empresas conhecidas.
20 Janeiro 2026, 12h00

Nos anos 1980, a Eberswalder Wurstwerke, da então República Democrática Alemã, era a maior fabricante de salsichas da Europa, com cerca de três mil funcionários. O complexo industrial, de 65 hectares, tinha cabeleireiro, clínica, biblioteca e restaurante próprios. Esses tempos comunistas ficaram para trás.

Na semana passada, os cerca de 500 empregados remanescentes souberam que o proprietário relativamente recente da empresa, um grupo da Alemanha Ocidental, irá fechar a fábrica de Britz até o fim de fevereiro.

“Ficamos sabendo meia hora antes de sair na TV”, diz uma funcionária junto aos portões da fábrica. Apesar da neve, o ponto de venda estava movimentado. A Tönnies, processadora de carne da Alemanha Ocidental que hoje controla a empresa, “prometeu investir quando nos comprou, há apenas dois anos”, reclama outro trabalhador.

economia alemã, a terceira maior do mundo em PIB nominal, está estagnada há três anos, e o fechamento de fábricas e as insolvências atingiram níveis preocupantes. Em 8 de janeiro, a Zalando, grande retalhista online de moda, anunciou que irá fechar um centro logístico em Erfurt, no leste do país, que emprega 2.700 pessoas.

Dados preliminares do Destatis, o instituto de estatísticas da Alemanha, mostram que as insolvências em dezembro subiram 15% na comparação com o mesmo mês de 2024. Os setores de transporte, hotelaria e construção foram os mais afetados. O total anual do ano passado, com mais de 17.600 empresas insolventes, foi o maior em 20 anos, segundo o Instituto Leibniz de Pesquisa Econômica, em Halle.

O que mais desanima os alemães é a sequência de falências de empresas conhecidas. No ano passado, entraram na lista alguns dos nomes mais tradicionais do país: Goertz (calçados), Gerry Weber e Esprit (moda), Groschenmarkt (varejo de descontos), Karrie Bau (construção) e Zoo Zajac (a maior loja de animais do mundo). É verdade que outras recessões foram piores; o estouro da bolha da internet provocou muito mais quebras. Em alguns anos, mais de 39 mil empresas fecharam. Mas crises anteriores se concentraram em setores específicos, como a tecnologia no colapso das “pontocom”.

Agora, ao contrário, o mal-estar atinge empresas de todos os ramos. A indústria alemã, que já foi um pilar de estabilidade e amortecia os altos e baixos de outros setores, deixou de cumprir esse papel. Os ramos voltados à exportação são especialmente vulneráveis a conflitos globais, tarifas e preços elevados de energia. Todo o modelo económico do país está mal ajustado às novas realidades. Até que se adapte, nem os fabricantes de salsicha escaparão do corte.


Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.