André Ventura pede a demissão de Eduardo Cabrita por palavras “gravíssimas”

Para o deputado único do partido recém chegado ao parlamento, as declarações de Eduardo Cabrita foram “gravíssimas e desprovidas de sentido” e recordou que, “num primeiro momento”, o Governo chegou a “negar a veracidade” daquilo que tinha sido referido por André Ventura, ou seja, a aquisição de material de segurança por parte das forças policiais.

André Ventura, deputado único do Chega, pediu este domingo a demissão de Eduardo Cabrita, ministro da Administração Interna, após as declarações nas quais o governante realçou que “os polícias compram equipamento porque querem” e que o deputado qualifica como “profunda humilhação” para os polícias.

Para o deputado único do partido recém chegado ao parlamento, as declarações de Eduardo Cabrita foram “gravíssimas e desprovidas de sentido” e recordou que, “num primeiro momento”, o Governo chegou a “negar a veracidade” daquilo que tinha sido referido por André Ventura, ou seja, a aquisição de material de segurança por parte das forças policiais.

O Chega entende que Eduardo Cabrita “deve demitir-se imediatamente do cargo e, caso não o faça, deverá ser demitido pelo primeiro-ministro”.

O ministro da Administração Interna garantiu este fim-de-semana que o Governo está a aumentar o investimento com as forças de segurança, através quer do aumento de verbas, quer de mais contratações. Em entrevista à TSF, publicada este domingo, Eduardo Cabrita diz que as reivindicações dos sindicatos têm sido ouvidas.

Questionado sobre notícias relativas a agentes que compram equipamento de proteção com verbas pessoais, Eduardo Cabrita disse que “compram porque o querem e não têm nenhuma necessidade de o fazer. É preciso dizê-lo com toda a transparência”.

“Há matérias que são diferentes, que são fardamento, em que há um subsídio. Mas o que é considerado como necessário pelos comandos é aquilo que é atribuído”, acrescentou.

O ministro da tutela explicou ainda “o mecanismo que nos dá flexibilidade, isto é, não está sujeito à negociação anual do Orçamento – os tais 450 milhões de euros vão até 2021, mas não têm de ser rígidos; temos um referencial de 90 milhões/ano”.

“Por exemplo, no ano passado gastámos mais de 100% da previsão inicial em viaturas e equipamentos de proteção individual. Gastámos menos em infraestruturas, porquê? Porque há um ciclo de obra que é diferente. É preciso fazer o projeto, lançar o concurso e, portanto, a despesa em obra vai concentrar-se em 2021 porque as obras – algumas já estão feitas e vão ser inauguradas – têm um ciclo que é diferente de comprar radares, alcoolímetros, coletes, que são coisas mais rápidas”, acrescentou.

Relativamente ao anúncio da contratação de dez mil novos profissionais para as forças de segurança disse que as necessidades de cada uma ainda não está fechada, mas já está identificado que por limite de idade vão sair das várias forças até 2023 cerca de oito mil pessoas.

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