“Aprender a aprender” é fundamental para o futuro do tecido empresarial português

Durante a ‘web conference’ promovida pelo JE e pela Multipessoal, concluiu-se que dar continuidade à aprendizagem ao longo da vida é, cada vez mais, um fator diferenciador para quem procura entrar no mercado de trabalho ou progredir na carreira.

A formação ao longo da vida é uma das tendências do futuro para responder às rápidas alterações do mercado de trabalho, que já era marcado pela mudança, mas que se tornou ainda mais volátil com o choque provocado pela pandemia de Covid-19, consideram os intervenientes na conferência sobre “a adaptação das competências assente na educação”, promovida pelo Jornal Económico (JE) e pela empresa de recrutamento Multipessoal e transmitida esta quarta-feira, 9 de junho, através da plataforma multimédia JE TV.

O debate contou com a participação do secretário de Estado Adjunto e da Educação, João Costa; de André Ribeiro Pires, chief operating officer da Multipessoal; de Céline Abecassis-Moedas, diretora da Formação de Executivos da Católica Lisbon School of Business & Economics; de Pedro Brito, associate dean para Executive Education and Business Transformation da Nova School of Business and Economics; e de Elmano Margato, presidente do Politécnico de Lisboa.

O “aprender a aprender” foi considerado uma ferramenta fundamental, quer porquem entra no mercado de trabalho, quer para quem nele já se encontra e pretende evoluir na profissão ou na organização ou, ainda, responder à mudança. “O que nós queremos ensinar é ensinar a aprender. Queremos que as pessoas aprendam a aprender ao longo da vida, por elas próprias ou com as nossas formações”, garante Céline Abecassis-Moedas.

É, também, fundamental para o futuro das empresas, diz Pedro Brito. “Se as empresas e as pessoas não tiverem capacidade de criarem um treino deliberado ao longo da vida, para continuaram a aprender, não só numa perspetiva técnica, mas também não técnica, dificilmente vão conseguir ser competitivos e diferenciadores no mercado”, avisa.

João Costa, secretário de Estado Adjunto e da Educação, sublinha a importância do “aprender a aprender”, mas lamenta que em Portugal não exista consenso sobre a necessidade de formação contínua. “Há uma coisa fundamental que é entendermos que, em Portugal, por vezes, há uma falta de consensoa  nível nacional sobre a aprendizagem ao longo da vida”, afirmou, indicando que o governo de que faz parte reativou os programas de formação ao longo da vida, para sublinhar a sua importância.

“Há quem lute contra a ideia de que não vale a pena estudar em Portugal”, disse, para depois apontar que os dados indiciam exatamente o contrário: “O que vemos é uma correlação muito forte entre qualificação e emprego, entre qualificação e reemprego e entre qualificação e remuneração média”.

“É competência do Estado e das empresas que empregam as pessoas disponibilizar formação, conducento à certificação”, insistiu João Costa.

Elmano Margato também apontou responsabilidades às empresas nos prcoessos formativos. “As empresas têm de também dar o seu contributo para direcionar as competências do formando para o que pretendem”, disse.

Céline Abecassis Moedas, Diretora, Formação de Executivos, Católica Lisbon School of Business & Economics, afirma que é preciso preparar os jovens “mesmo antes de saírem do ensino secundário” mas, mais importante que isso, é “prepará-los ao longo da vida para as mudanças que estão a acontecer”. Céline Moedas refere também a necessidade de apostar em “formadores externos” com experiência nas empresas, de forma a desenvolver formações mais especializadas.

Pedro Brito, considerou que a evolução do mercado “tem exigido que, cada vez mais, as profissões incluam competências muito transversais, quer competências técnicas ou não técnicas – as chamadas soft skils”. Pedro Brito realça ainda a importância do que apelida como o “aprender a aprender”, por considerar que “se as empresas e as pessoas não tiverem capacidade de criar um treino deliberado ao longo da vida dificilmente vão conseguir ser competitivos e diferenciadores no mercado”.

“A formação dada pelas empresas, ou a formação acumulada pelas pessoas tem de existir”, afirma André Ribeiro Pires. Diz, também, que o futuro das organizações passa, muito, pela sua capacidade de requalificar os seus trabalhadores ou de lhes permitir que adquiram novas competências.

 

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