Azeredo Lopes sabia desde o início do “encobrimento”, diz despacho do MP sobre Tancos

Segundo o despacho do MP, os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) sustentam que, em agosto de 2017, dois meses antes do “achamento”, Azeredo Lopes teve uma reunião no Ministério da Defesa com o ex-diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, na qual foi informado – e deu o aval – do plano para a recuperação do material.

Um despacho do Ministério Público revela que o ex-ministro da Defesa Azeredo Lopes sabia desde o início de todo o plano da Polícia Judiciária Militar para recuperar o material roubado de Tancos, notícia hoje a revista Sábado.

A revista, que teve acesso ao despacho de apresentação de Azeredo Lopes ao juiz de instrução, dá conta que, já em agosto de 2017, dois meses antes do “achamento” do material militar, o ex-ministro foi informado da investigação paralela da PJ Militar.

Segundo o despacho do MP, os procuradores do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) sustentam que, em agosto de 2017, dois meses antes do “achamento”, Azeredo Lopes teve uma reunião no Ministério da Defesa com o ex-diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, na qual foi informado – e deu o aval – do plano para a recuperação do material.

Num comunicado, o ex-ministro da Defesa lamenta “a flagrante violação do segredo de justiça que tal notícia consubstancia, e a que todos os agentes processuais estão obrigados por lei”.

Azeredo Lopes reiterou, no comunicado as declarações feitas na comissão parlamentar de inquérito de Tancos em maio.

“Mais uma vez digo que, não obstante este episódio, confio na Justiça, com ela colaborarei, como é meu dever, e estou convicto, porque nada fiz de ilegal ou incorreto, que serei completamente ilibado de quaisquer responsabilidades neste processo”, refere Azeredo Lopes que é um dos 24 arguidos do processo que investiga o furto de armas de guerra nos paióis de Tancos, divulgado a 29 de junho de 2017.

O ex-ministro está proibido de contactar com os outros arguidos e com o seu ex-chefe de gabinete e com o antigo chefe de Estado Maior do Exército, general Rovisco Duarte.

Quase três meses após a divulgação do furto das armas, a Polícia Judiciária Militar revelou o aparecimento do material, na região da Chamusca, a 20 quilómetros de Tancos, em colaboração com elementos do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé.

O processo de recuperação do material militar levou a uma investigação judicial, por suspeitas de associação criminosa, tráfico de armas e terrorismo no furto do armamento e durante a qual foram detidos o agora ex-diretor da PJM Luís Vieira e o ex-porta-voz da PJM Vasco Brazão e três militares da GNR, num total de oito militares.

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