Banco de Cabo Verde pede estratégias e políticas financeiras prioritárias

O banco central cabo-verdiano aponta deterioração expressiva da balança de pagamentos até junho, nomeadamente o agravamento do défice da balança corrente e da balança financeira, e a “fraca dinâmica da economia nacional”.

O Banco de Cabo Verde quer definir com urgência, em conjunto com o Governo, “novas estratégias e políticas financeiras prioritárias” para responder aos efeitos na economia da crise provocada pela pandemia de covid-19.

A posição consta de uma nota sobre a situação do sistema financeiro nacional em 2019 e tendência de evolução dos riscos para a estabilidade financeira, a que a Lusa teve acesso, em que o Banco de Cabo Verde (BCV) destaca que os indicadores macroeconómicos e financeiros disponíveis “evidenciam” os efeitos da pandemia na economia nacional na primeira metade do ano.

O setor do turismo representa cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) de Cabo Verde, mas o arquipélago está encerrado a voos internacionais desde 19 de março, para conter a transmissão da pandemia de covid-19. Sem turismo, o país ressente-se economicamente e além de uma recessão histórica que pode ultrapassar os 8% do PIB, o Governo admite que a taxa de desemprego possa duplicar até final do ano, para quase 20%.

Em concreto, o banco central aponta neste documento a deterioração expressiva da balança de pagamentos até junho — nomeadamente o agravamento do défice da balança corrente e da balança financeira -, a “fraca dinâmica da economia nacional” na sequência da “deterioração da procura interna e externa”, e “a queda das receitas do governo central, que determinou o agravamento do défice orçamental e o, consequente, aumento do ‘stock’ da dívida pública”.

Perante uma “conjuntura de grande incerteza” sobre a evolução da pandemia e os “reais efeitos sobre a economia nacional e, particularmente, sobre a estabilidade do sistema financeiro nacional”, o banco central reconhece ainda que enfrenta “importantes desafios”, juntamente com o Governo e os bancos, “no sentido da continuidade das medidas em curso, bem como da definição célere de um conjunto de novas estratégias e políticas financeiras prioritárias, em resposta à crise”.

O Governo cabo-verdiano tem lançado várias medidas para minimizar os impactos da crise económica no arquipélago, dependente do turismo e fechado ao exterior devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus.

Essas medidas envolvem apoios à suspensão temporária do contrato de trabalho, moratórias aos créditos bancários, negociação do pagamento de impostos, linhas de financiamento para empresas e subsídios às famílias mais carenciadas.

Para “salvaguarda da estabilidade do sistema financeiro nacional” e “proteção da economia”, o BCV reconhece que é necessário manter uma “política monetária acomodatícia e prudencial flexível”, juntamente com uma “gestão criteriosa das reservas cambiais e do reforço da capacidade de supervisão” do sistema financeira.

Defende igualmente a “manutenção de elevados padrões de governação e de gestão criteriosa dos riscos” das instituições financeiras, bem como “elevados níveis de liquidez e de fundos próprios, assim como de transparência na comunicação da sua situação financeira e prudencial”.

“A importância da continuidade das medidas já implementadas, no sentido de apoiar as empresas e as famílias, em estreita coordenação com o BCV, e de reforço da cooperação com os parceiros internacionais, por parte do Governo”, destaca o banco central.

Cabo Verde conta com um acumulado de 6.360 casos de covid-19 diagnosticados desde 19 de março, e 65 mortos.

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