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Barragens descarregaram um ano do consumo nacional de água

As barragens de todo o país, incluindo as do Algarve que estão sempre vazias, estão a realizar descargas. O mês de janeiro foi o segundo com maior precipitação dos últimos 25 anos.
Elementos dos bombeiros resgatam uma popular após os efeitos da passagem da depressão Kristin, em Alcácer do Sal, 29 de janeiro de 2026. A passagem da depressão Kristin pelo território português deixou um rasto de destruição, causou cinco mortos e vários desalojados. RUI MINDERICO/LUSA
6 Fevereiro 2026, 17h14

As barragens portuguesas descarregaram o equivalente ao consumo nacional de água entre o início de janeiro e o início do comboio de tempestades para conseguirem acomodar toda a chuva das últimas semanas.

“Desde janeiro até ao início destas tempestades, as nossas barragens descarregaram mais do que um ano de água consumida pelos portugueses. Só assim é que tem sido possível que não tenha havido uma grande cheia”, disse a ministra do Ambiente e da Energia esta sexta-feira.

As descargas foram feitas segundo as indicações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), coordenadas com Espanha, devido aos rios partilhados, e fazendo a gestão com maré alta e maré baixa na foz dos rios.

“É um rendilhado com muita precisão para não cometer erros e tentar diminuir ao máximo o impacto destas tempestades”, acrescentou, apontando que estas operações têm riscos porque se as tempestades não chegarem, a águam, um bem precioso, é desperdiçada.

O mês de janeiro foi o segundo com maior precipitação dos últimos 25 anos. E dezembro foi o sétimo mês com mais precipitação durante o mesmo período.

Já o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) destaca que “todas as barragens do país estão a fazer descargas”, incluindo no Algarve, região conhecida pela seca crónica.

“O país conhece a barragem da Bravura por não ter água… está a fazer descargas. A barragem de Santa Clara… esta semana vai fazer descargas. Monte da Rocha que tem sempre entre 10% a 13%… vai fazer descargas por segurança”, acrescentou José Pimenta Machado.

“Preparámo-nos muito bem para o comboio de tempestades. Libertamos das albufeiras 789 hectómetros cúbicos para encaixar cheias, para minimizar efeitos. É um valor brutal”, segundo o responsável.

Portugal conta com 42 concelhos com elevados risco de inundações esta sexta-feira e no sábado, revelou a Agência Portuguesa do Ambiente (APA).

No caso das bacias hidrográficas, os rios Sado, Tejo e Mondego são os rios que mais preocupações estão a causar às autoridades neste momento, com Tejo a contar com mais concelhos ameaçados (17), seguido do Mondego (7) e o Sado (6).

A tempestade Marta chega com muita chuva, vento, neve e agitação marítima. Neste momento, Portugal conta com 26 mil operacionais de proteção civil no terreno.

Dias 6 e 7 – Elevado risco de inundações

Rio Vouga: Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar, Vagos e Cantanhede

Rio Águeda: Águeda;

Rio Mondego: Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Soure

Rio Tejo: Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Mação, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha

Rio Sorraia: Coruche, Benavente

Rio Sado: Alcácer do Sal; Santiago do Cacém; Grândola; Alvito; Ourique; Ferreira do Alentejo

Além dos concelhos com elevado risco de inundações, também existem 21 concelhos em risco de inundações.

Dias 6 e 7 – Risco de inundações

Rio Lima: Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima

Rio Cávado: Braga; Barcelos; Vila Verde; Esposende

Rio Ave: Santo Tirso, Trofa; Vila Nova de Famalicão

Rio Douro: Gondomar, Porto; Vila Nova de Gaia; Lamego; Peso da Régua

Rio Tâmega: Chaves, Amarante

Rio Lis: Leiria

Rio Guadiana: Alcoutim; Castro Marim e Vila Real de Santo António

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