As barragens portuguesas descarregaram o equivalente ao consumo nacional de água entre o início de janeiro e o início do comboio de tempestades para conseguirem acomodar toda a chuva das últimas semanas.
“Desde janeiro até ao início destas tempestades, as nossas barragens descarregaram mais do que um ano de água consumida pelos portugueses. Só assim é que tem sido possível que não tenha havido uma grande cheia”, disse a ministra do Ambiente e da Energia esta sexta-feira.
As descargas foram feitas segundo as indicações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), coordenadas com Espanha, devido aos rios partilhados, e fazendo a gestão com maré alta e maré baixa na foz dos rios.
“É um rendilhado com muita precisão para não cometer erros e tentar diminuir ao máximo o impacto destas tempestades”, acrescentou, apontando que estas operações têm riscos porque se as tempestades não chegarem, a águam, um bem precioso, é desperdiçada.
O mês de janeiro foi o segundo com maior precipitação dos últimos 25 anos. E dezembro foi o sétimo mês com mais precipitação durante o mesmo período.
Já o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente (APA) destaca que “todas as barragens do país estão a fazer descargas”, incluindo no Algarve, região conhecida pela seca crónica.
“O país conhece a barragem da Bravura por não ter água… está a fazer descargas. A barragem de Santa Clara… esta semana vai fazer descargas. Monte da Rocha que tem sempre entre 10% a 13%… vai fazer descargas por segurança”, acrescentou José Pimenta Machado.
“Preparámo-nos muito bem para o comboio de tempestades. Libertamos das albufeiras 789 hectómetros cúbicos para encaixar cheias, para minimizar efeitos. É um valor brutal”, segundo o responsável.
No caso das bacias hidrográficas, os rios Sado, Tejo e Mondego são os rios que mais preocupações estão a causar às autoridades neste momento, com Tejo a contar com mais concelhos ameaçados (17), seguido do Mondego (7) e o Sado (6).
A tempestade Marta chega com muita chuva, vento, neve e agitação marítima. Neste momento, Portugal conta com 26 mil operacionais de proteção civil no terreno.
Dias 6 e 7 – Elevado risco de inundações
Rio Vouga: Albergaria-a-Velha, Aveiro, Estarreja, Ílhavo, Mira, Murtosa, Ovar, Vagos e Cantanhede
Rio Águeda: Águeda;
Rio Mondego: Cantanhede, Coimbra, Condeixa-a-Nova, Figueira da Foz, Miranda do Corvo, Montemor-o-Velho, Soure
Rio Tejo: Abrantes, Almeirim, Alpiarça, Azambuja, Benavente, Cartaxo, Chamusca, Constância, Coruche, Entroncamento, Gavião, Golegã, Mação, Salvaterra de Magos, Santarém, Vila Franca de Xira, Vila Nova da Barquinha
Rio Sorraia: Coruche, Benavente
Rio Sado: Alcácer do Sal; Santiago do Cacém; Grândola; Alvito; Ourique; Ferreira do Alentejo
Além dos concelhos com elevado risco de inundações, também existem 21 concelhos em risco de inundações.
Dias 6 e 7 – Risco de inundações
Rio Lima: Arcos de Valdevez, Ponte da Barca, Ponte de Lima
Rio Cávado: Braga; Barcelos; Vila Verde; Esposende
Rio Ave: Santo Tirso, Trofa; Vila Nova de Famalicão
Rio Douro: Gondomar, Porto; Vila Nova de Gaia; Lamego; Peso da Régua
Rio Tâmega: Chaves, Amarante
Rio Lis: Leiria
Rio Guadiana: Alcoutim; Castro Marim e Vila Real de Santo António
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