Bastonária dos enfermeiros aconselha Governo a negociar com hospitais privados: “É dramático. Tem de haver negociação”

Ana Rita Cavaco aconselha o Executivo de António Costa a sentar-se à mesa com os hospitais privados para resolver o atual clima de tensão.

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros, Ana Rita Cavaco (3-E), acompanhada pelo vice-presidente do Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor), Ulisses Rolim (2-E), durante a greve dos enfermeiros junto ao Hospital Santa Maria, em Lisboa, 08 de fevereiro de 2019. Os enfermeiros dos blocos operatórios de sete hospitais públicos iniciaram no dia 31 janeiro uma greve às cirurgias programadas que decorre até 28 de fevereiro, em protesto pela falta de valorização da profissão e sobre as dificuldades das condições de trabalho no Serviço Nacional de Saúde. A paralisação foi convocada pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (Sindepor) e Associação Sindical Portuguesa dos Enfermeiros (ASPE). MIGUEL A. LOPES/LUSA

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros aconselha o Governo a negociar com os privados para resolver o impasse em torno dos beneficiários da ADSE, depois da José de Mello Saúde e a Luz Saúde terem anunciado o fim dos contratos com a ADSE a partir de abril.

“é dramático, de facto, porque é evidente que há espaço para todos coexistirem: o Serviço Nacional de Saúde e os prestadores privados. E hoje muitas destas pessoas, eu incluída, que recorrem a estes hospitais porque têm uma convenção com a ADSE, vão ter que recorrer aos hospitais da rede do SNS que, como todos nós sabemos, está com uma resposta muito deficiente”, disse Ana Rita Cavaco esta terça-feira.

Em plena greve dos enfermeiros, a bastonária defende que o Executivo de António Costa e o ministério da Saúde deveriam sentar-se à mesa com os privados: “Como em tudo, também na greve dos enfermeiros, tem que haver negociação, tem de haver bom senso”.

“Já demos o primeiro passo naquilo que deve ser a aproximação ao Governo e ao Ministério da Saúde, não sei se ainda dura o nosso castigo de não termos audiências e não sermos recebidos, eu penso que não que isso se irá resolver esta semana, e julgo que a senhora ministra tem de fazer a mesma coisa com os grupos privados”, destacou.

Sobre a greve dos enfermeiros, a bastonária disse que os “enfermeiros querem continuar a negociar, não querem estar numa situação de greve”. Questionada sobre o papel da ministra da Saúde, a bastonária destacou. “Falta-lhe talvez autorização para negociar”.

Ana Rita Cavaco aproveitou também as declarações aos jornalistas para denunciar a falta de enfermeiros nos hospitais portugueses. “Todos os hospitais estão hoje numa situação muitíssimo difícil, relativamente ao número de enfermeiros que têm para manter o os serviços abertos e dar resposta aos cidadãos, porque da parte do ministério da Saúde estão a ser despachadas as substituições dos enfermeiros que rescindem os seus contratos: porque vão para o estrangeiro, ou trabalhar para entidades privadas, ou aqueles enfermeiros que vão de baixa prolongada, ou que infelizmente falecem”.

“Essas substituições não estão a ser autorizadas pelo ministério da Saúde, deixando os hospitais numa situação muito difícil no número de enfermeiros em cada turno”, sublinhou.

Para terminar,  a bastonária garantiu que os “enfermeiros querem que o SNS saia reforçado, que as pessoas consigam fazer as suas cirurgias. Portugal tem um problema grave de listas de espera cirúrgicas que nada tem a ver com a greve dos enfermeiros e que nós enquanto país temos de discutir seriamente para saber o que podemos fazer”, concluiu.

 

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