Bastonária dos enfermeiros aconselha Governo a negociar com hospitais privados: “É dramático. Tem de haver negociação”

Ana Rita Cavaco aconselha o Executivo de António Costa a sentar-se à mesa com os hospitais privados para resolver o atual clima de tensão.

Miguel A. Lopes / Lusa

A bastonária da Ordem dos Enfermeiros aconselha o Governo a negociar com os privados para resolver o impasse em torno dos beneficiários da ADSE, depois da José de Mello Saúde e a Luz Saúde terem anunciado o fim dos contratos com a ADSE a partir de abril.

“é dramático, de facto, porque é evidente que há espaço para todos coexistirem: o Serviço Nacional de Saúde e os prestadores privados. E hoje muitas destas pessoas, eu incluída, que recorrem a estes hospitais porque têm uma convenção com a ADSE, vão ter que recorrer aos hospitais da rede do SNS que, como todos nós sabemos, está com uma resposta muito deficiente”, disse Ana Rita Cavaco esta terça-feira.

Em plena greve dos enfermeiros, a bastonária defende que o Executivo de António Costa e o ministério da Saúde deveriam sentar-se à mesa com os privados: “Como em tudo, também na greve dos enfermeiros, tem que haver negociação, tem de haver bom senso”.

“Já demos o primeiro passo naquilo que deve ser a aproximação ao Governo e ao Ministério da Saúde, não sei se ainda dura o nosso castigo de não termos audiências e não sermos recebidos, eu penso que não que isso se irá resolver esta semana, e julgo que a senhora ministra tem de fazer a mesma coisa com os grupos privados”, destacou.

Sobre a greve dos enfermeiros, a bastonária disse que os “enfermeiros querem continuar a negociar, não querem estar numa situação de greve”. Questionada sobre o papel da ministra da Saúde, a bastonária destacou. “Falta-lhe talvez autorização para negociar”.

Ana Rita Cavaco aproveitou também as declarações aos jornalistas para denunciar a falta de enfermeiros nos hospitais portugueses. “Todos os hospitais estão hoje numa situação muitíssimo difícil, relativamente ao número de enfermeiros que têm para manter o os serviços abertos e dar resposta aos cidadãos, porque da parte do ministério da Saúde estão a ser despachadas as substituições dos enfermeiros que rescindem os seus contratos: porque vão para o estrangeiro, ou trabalhar para entidades privadas, ou aqueles enfermeiros que vão de baixa prolongada, ou que infelizmente falecem”.

“Essas substituições não estão a ser autorizadas pelo ministério da Saúde, deixando os hospitais numa situação muito difícil no número de enfermeiros em cada turno”, sublinhou.

Para terminar,  a bastonária garantiu que os “enfermeiros querem que o SNS saia reforçado, que as pessoas consigam fazer as suas cirurgias. Portugal tem um problema grave de listas de espera cirúrgicas que nada tem a ver com a greve dos enfermeiros e que nós enquanto país temos de discutir seriamente para saber o que podemos fazer”, concluiu.

 

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