BdP: Emprego deverá continuar a crescer, mas a um ritmo mais baixo

Banco de Portugal explica que a tendência de desaceleração reflete a maturação do ciclo económico e o aumento das restrições ao nível da oferta de trabalho. Antecipa também uma evolução positiva do produto por trabalhador entre 2019 e 2021.

O emprego deverá continuar a crescer quer no setor privado, quer no setor público, ainda que a um ritmo progressivamente mais moderado, segundo o “Boletim Económico de Março de 2019: Projeções para a Economia Portuguesa 2019-2021”, divulgado pelo Banco de Portugal (BdP) esta quinta-feira.

“A tendência de desaceleração reflete a maturação do ciclo económico e o aumento das restrições ao nível da oferta de trabalho”, refere o relatório. “O número de empresas que reporta ter dificuldade em contratar pessoal qualificado encontra-se em valores acima da média histórica”.

O BdP destaca que, entre os fatores limitativos da produção, as empresas identificaram a dificuldade de contratação como o segundo fator mais relevante em 2018, com a percentagem de empresas que considera esta dificuldade como sendo limitativa do investimento a aumentar.

A instituição liderada por Carlos Costa aponta que o crescimento do emprego está associado à diminuição do número de desempregados e, em menor grau, ao aumento da população ativa.

“A taxa de desemprego deverá manter uma trajetória descendente ao longo do horizonte de projeção, passando de 7% em 2018 para 5,2% em 2021”, refere. “No entanto, esta redução ocorrerá a um ritmo mais moderado do que o observado nos últimos anos”.

“Apesar da evolução demográfica desfavorável – que poderá ser mitigada caso se mantenham saldos migratórios positivos –, a população ativa deverá apresentar variações ligeiramente positivas, refletindo o regresso ao mercado de trabalho de indivíduos desencorajados, o aumento progressivo da idade de reforma e o aumento da participação feminina”, acrescenta.

O BdP antecipa também uma evolução positiva do produto por trabalhador entre 2019 e 2021, depois de um aumento do emprego superior ao da atividade.

“O crescimento da produtividade está associado a alguns fatores, nomeadamente a gradual recuperação e renovação do stock de capital produtivo à disposição dos trabalhadores, um processo por natureza lento, e a melhoria da afetação dos recursos na economia portuguesa”, conclui.

Projeção para a inflação revista em baixa

O BdP estima “um aumento contido dos preços” entre 2019 e 2021, apesar da redução gradual da margem disponível no mercado de trabalho e no mercado do produto. Neste sentido, reviu em baixa a inflação para este período e estima que a taxa de variação do índice harmonizado de preços no consumidor (IHPC) diminuirá de 1,2% em 2018 para 0,8% em 2019, aumentando gradualmente entre 2020 e 2021.

“Nos últimos anos registou-se uma redução gradual dos recursos disponíveis no mercado de trabalho e no mercado do produto, que se deverá manter no horizonte de projeção, num quadro de maturação do ciclo económico. Esta evidência tem-se traduzido numa aceleração gradual dos salários nominais no setor privado”, explica, antecipando que a tendência deverá manter-se.

Segundo o relatório, a evolução dos salários em 2019 é influenciada quer pela atualização do salário mínimo, quer pela expetativa de uma evolução moderada dos preços. Já a evolução salarial no setor público inclui o descongelamento gradual das progressões salariais na Administração Pública, assim como a hipótese de atualização salarial em linha com a inflação em 2020-21.

Realça ainda que o enquadramento da inflação moderada não se regista apenas na economia portuguesa e está associado a um conjunto de fatores que contribuem para mitigar o aumento dos preços. Entre estes, destaca as “pressões inflacionistas externas moderadas”, “a transmissão dos custos salariais para os preços pode ser mais limitada”, as “expetativas de inflação ancoradas em níveis moderados” e “fatores específicos de natureza temporária”, tais como serviços relacionados com o turismo e os preços sujeitos a regulação.

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