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BdP revê em alta crescimento este ano e no próximo para 2% e 2,3%

O banco central argumenta que a “economia portuguesa continua a crescer a um ritmo robusto num enquadramento externo marcado por tensões comerciais, incerteza elevada e apreciação do euro”. Do lado orçamental, o défice não deve surgir já este ano, mas mantém-se a previsão para 2026, embora bastante menos profundo do que os 1,3% antes projetados.
administrações públicas Banco de Portugal
19 Dezembro 2025, 11h00

O Banco de Portugal (BdP) atualizou esta sexta-feira as suas projeções macroeconómicas com a divulgação do Boletim Económico de dezembro, onde reviu a sua expectativa de crescimento para este ano e o próximo em alta. O banco central aponta agora a um avanço de 2% este ano e 2,3% em 2026, em ambos os casos uma revisão em alta de 0,1 pontos percentuais (pp).

Nas anteriores projeções, de setembro, o cenário passava por um crescimento do PIB de 1,9% este ano, 2,2% no próximo e 1,7% em 2027, isto apesar do enquadramento internacional desafiante.

No Boletim de dezembro, o BdP argumenta que a “economia portuguesa continua a crescer a um ritmo robusto num enquadramento externo marcado por tensões comerciais, incerteza elevada e apreciação do euro”, choques que têm sido amortecidos “pelo alívio das condições financeiras, pelo aumento dos fundos da UE e pela orientação expansionista da política orçamenta”.

O consumo privado foi revisto em alta por 0,3 pp para 3,6% este ano e no próximo, enquanto a projeção para o investimento salta de 3% para 4% em 2025 e de 5,3% para 6% em 2026. Na mesma linha, as exportações devem crescer no próximo ano mais do que era esperado em setembro, tendo sido atualizadas em alta de 2,2% para 2,6%, enquanto as importações crescerão 5,3% este ano e 3,5% no próximo, acima das anteriores projeções de 4,7% e 2,8%.

Esta projeção é coerente com a ideia que a “procura interna beneficia da robustez do mercado do trabalho e do impulso da política orçamental e dos fundos europeus, em particular em 2025–26”, mas “constrangimentos demográficos sobre a oferta de trabalho implicam também menores aumentos do emprego ao longo do horizonte de projeção, com reflexos no rendimento disponível das famílias e no consumo privado”.

Do lado da inflação, a expectativa agora é de um indicador nominal 0,2 pp mais alto em 2026 do que projetado em setembro, o que significa uma leitura de 2,1%, embora a inflação subjacente apresente um perfil oposto ao anteriormente previsto: 2,2% em 2025 e 2,3% em 2026, ao contrário dos 2,3% e 2,2%, respetivamente, inscritos no documento de setembro.

Além das projeções em termos macroeconómicos, o BdP havia-se estreado recentemente nas perspetivas orçamentais, embora apenas semestralmente. No anterior exercício com antecipações para o lado orçamental, em julho, o banco central apontava a um ligeiro défice de 0,1% este ano, saldo que se deterioraria em 2026 para 1,3%.

No exercício atualizado esta sexta-feira, Portugal fica num saldo nulo este ano antes de regressar aos défices, embora os 0,4% antecipados sejam uma melhoria clara em relação ao anterior cenário. Depois de 2026, o BdP espera défices de 0,9% e 1% do PIB, respetivamente, em 2027 e 2028.

“Esta trajetória traduz uma deterioração significativa no período recente, explicada sobretudo pelas medidas de redução de impostos e pelo aumento permanente da despesa”, lê-se no Boletim, isto apesar de a “composição do crescimento económico ter favorecido a receita fiscal e contributiva, atenuando parcialmente esta deterioração”.

Do lado da dívida, o BdP antecipava a continuação da queda do indicador em função do PIB, com 91,1% este ano, 88,4% no próximo e 85,8% em 2027, cenário que também acabou por ser atualizado com números mais otimistas. O rácio deve cair para 88,2% este ano e para 84% no próximo, continuando com o perfil de descida até 79,5% em 2028.


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