Bloco de Esquerda diz que auditoria ao Novo Banco “confirma que foram tomadas más decisões políticas”

Mariana Mortágua afirma que a auditoria não responde a todas as perguntas sobre o banco e refere que a Assembleia da República “tem de ter todos os dados para poder analisar o que se passou”, incluindo “nomes de empresas, nomes de devedores e de empresas que já tiveram as operações reestruturadas e perdoadas”.

A deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua considerou esta terça-feira que a auditoria realizada ao Novo Banco “confirma que foram tomadas más decisões”, mas apontou que o documento não responde a todas as perguntas sobre a gestão do banco.

“A análise preliminar confirma que o negócio foi ruinoso do principio ao fim, confirma que foram tomadas más decisões políticas, confirma obviamente a responsabilidade da anterior gestão do BES e de Ricardo Salgado”, referiu Mariana Mortágua, sublinhando que “não tem uma resposta, neste momento, para a gestão privada do Novo Banco, em que os prejuízos são pagos com dinheiro do Estado”.

Mariana Mortágua acha que não existe motivo para que a auditoria “se mantenha confidencial” e contou que “nem aos deputados foi entregue nenhum dado pessoal, de nenhum cliente”. “O parlamento continua sem saber quando analisa operações de crédito efetuadas pelo BES e por Ricardo Salgado, quem foram os clientes que beneficiaram dessas condições de crédito”, disse a deputada do Bloco de Esquerda.

“A Assembleia da República [AR] tem de ter todos os dados para poder analisar o que se passou no BES e Novo Banco incluindo nomes de empresas, nomes de devedores e de empresas que já tiveram as operações reestruturadas e perdoadas”, sublinhou a deputada do Bloco de Esquerda, em declarações aos jornalistas a partir da AR.

Apesar de os deputados não terem tido acesso a determinados dados, Mariana Mortágua concluiu existirem “operações ligadas ao BCP, à Portugal Telecom , algumas ligadas ao futebol”, devido às comissões de inquérito. No entanto, a deputada do Bloco de Esquerda reforça que “esses nomes não vieram à Assembleia da República”.

Mariana Mortágua comparou ainda as operações do Novo Banco às da Caixa Geral de Depósitos. ” [A auditoria] descreve operações que foram reestruturadas e/ou perdoadas e processos semelhantes aos que aconteceram na Caixa Geral de Depósitos sem que nós consigamos perceber neste momento, quem são esses clientes”, disse a deputada do Bloco de Esquerda.

Na madrugada desta terça-feira, a auditoria que Deloitte esteve a realizar aos atos de gestão no BES e Novo Banco, que abrange um período de 18 anos, entre 2000 e 2018. No documento enviado ao Ministério Público, é revelado que entre 4 de agosto de 2014 e 31 de dezembro de 2018 o banco perdeu 4.042 milhões de euros em 283 operações.

Dados que segundo Mariana Mortágua não trazem nenhuma novidade sendo que “já sabíamos que o Novo banco acumulou ou o BES acumulou perdas entre 2000 e 2018 de cerca de 6 mil milhões de euros, são as imparidades acumuladas”. A deputada do Bloco de Esquerda alerta que o valor que tem vindo a público “diz respeito à amostra que foi selecionada por esta auditoria”.

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