Capitalização da bolsa cabo-verdiana aumentou 6,5% em 2020 para 739 milhões de euros

Devido à quebra de mais de 30% nas receitas fiscais, face à crise económica provocada pela pandemia e à recessão histórica de 14,8% do PIB, o Estado cabo-verdiano aumentou o nível de endividamento público em 2020, desde logo para financiar as políticas sociais, económicas e sanitárias de mitigação da crise

A capitalização da Bolsa de Cabo Verde (BCV) aumentou 6,5% em 2020, face ao ano anterior, para um novo máximo de quase 739 milhões de euros, equivalendo a mais de metade do PIB do país, segundo dados da instituição.

De acordo com o relatório extensivo de 2020, agora divulgado pela instituição e consultado esta segunda-feira pela Lusa, esse crescimento é explicado essencialmente pelo aumento de 9,2% da capitalização com as emissões de Obrigações do Tesouro (OT) e de Bilhetes do Tesouro (BT), por parte do Estado cabo-verdiano.

A capitalização bolsista global (aproximação do valor de mercado das empresas e títulos) da BCV chegou assim aos 81.249 milhões de escudos (738,9 milhões de euros) no final de 2020, o equivalente a 56,7% do Produto Interno Bruto cabo-verdiano.

“No segmento Títulos do Tesouro (OT e BT) seguiu-se a tendência dos anos anteriores, registando-se aumentos da capitalização em 2020 no valor de 70.432.520.000 escudos [640,3 milhões de euros], representando 86,7% da capitalização global, explicado pelo aumento do volume das emissões”, lê-se no relatório.

Devido à quebra de mais de 30% nas receitas fiscais, face à crise económica provocada pela pandemia de covid-19 e à recessão histórica de 14,8% do PIB, o Estado cabo-verdiano aumentou o nível de endividamento público em 2020, desde logo para financiar as políticas sociais, económicas e sanitárias de mitigação da crise.

A administração da BCV refere que relativamente ao mercado de valores mobiliários, durante o ano de 2020 não foram sentidos “grandes impactos” da pandemia. “Contudo, a quantidade de título cotados admitidos à negociação teve uma variação negativa em 2,1% face ao período homólogo”, aponta o relatório, destacando que o montante mobilizado no mercado primário ultrapassou em 2020 o valor de mais de 15.132 milhões de escudos (137,5 milhões de euros).

A capitalização da bolsa cabo-verdiana tem registado valores máximos consecutivos e um crescimento de 12,5% de 2016 a 2019, segundo dados noticiados anteriormente pela Lusa.

Ainda segundo o mesmo relatório, no final de 2020 estavam admitidos no mercado de cotações oficiais da bolsa cabo-verdiana um total de 184 títulos (-2,1% face a 2019), 172 dos quais eram Títulos do Tesouro, seis eram obrigações ‘corporate’, duas eram obrigações municipais e quatro referentes a ações ordinárias de empresas.

A Bolsa de Valores de Cabo Verde foi criada em maio de 1998 e conta ainda com quatro empresas cotadas, com destaque para o Banco Comercial do Atlântico (BCA, detido pelo grupo Caixa Geral de Depósitos) e para a Caixa Económica, e outras que emitem obrigações.

Os acionistas da Cabo Verde Telecom (CV Telecom), principal operadora de telecomunicações do país, aprovaram em 2018 a entrada da empresa em bolsa, que ainda não se concretizou.

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