“A captura e detenção do Presidente venezuelano Nicolás Maduro, a 3 de janeiro, terá implicações geopolíticas e para os mercados globais de grande alcance, potencialmente durante anos”, acredita Nanette Abuhoff Jacobson, estratega da Wellington Management.
“Embora a situação permaneça fluida e existam muitas incógnitas, os mercados de risco estão a encarar os acontecimentos como positivos”, afirma a especialista, dando conta que as obrigações e ações venezuelanas, bem como as ações em muitos mercados latino-americanos e desenvolvidos, “estão em alta”, e que “as yields das obrigações dos mercados desenvolvidos estão a cair, com base na expectativa de inflação mais baixa”. Além disso, estão a subir os preços do petróleo, “devido a riscos de oferta no curto prazo, mas possivelmente também porque o posicionamento já era curto”, e do ouro.
“A reação positiva de curto prazo é sustentada pela expectativa geral de que a Venezuela acabará por conseguir produzir muito mais petróleo do que o atual um milhão de barris por dia”, nota Nanette Abuhoff Jacobson. “As reservas petrolíferas do país ascendem a cerca de 300 mil milhões de barris, ou 20% das reservas globais, pelo que existe um potencial significativo de valorização”.
A analista identifica “várias implicações positivas para o investimento” a curto prazo, nomeadamente um impacto na inflação, tendo em conta “as expetativas de maior oferta de petróleo e preços mais baixos”, o que poderá trazer “um maior alívio monetário por parte da Fed [Reserva Federal Norte-Americana]”.
Além disso, “com preços mais baixos do crude pesado, as refinarias podem comprá-lo com desconto e vender produtos refinados indexados a ‘benchmarks’ globais, reforçando as margens” – apesar de essa perspetiva de preços mais baixos poderem ter um “impacto negativo para os produtores de petróleo dos EUA”.
Para os mercados emergentes selecionados, há ainda oportunidades na dívida e nas ações, como a América Latina, que “poderá beneficiar de laços políticos e comerciais mais estreitos com os EUA”.
E para os metais preciosos, “o aumento da volatilidade geopolítica e a fragmentação da ordem global deverão apoiar os preços”. As empresas mineiras “também poderão beneficiar, uma vez que a energia é o seu maior custo”.
Finalmente, para as obrigações soberanas de longo prazo, “expectativas de inflação mais baixas e um potencial alívio por parte da Fed seriam favoráveis”, acompanhadas de “curvas de rendimentos relativamente inclinadas nos mercados desenvolvidos”.
No entanto, os últimos acontecimentos na Venezuela também acarretam “potenciais fontes de incerteza”, uma vez que “restaurar a produção exigirá tempo, capital e um enquadramento regulatório”; há incertezas quanto à estabilidade política; há dúvidas se tudo o que pretende Trump será concretizado, tendo em conta que “a ala dura de apoiantes de Maduro continua a liderar as forças armadas e os serviços de informação”; e, para já, “não é claro em que condições a administração dos EUA poderá avançar com outra ação militar”.
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