Centeno sobre subida do rating: “consolidação orçamental tem sido uma prioridade da política económica”

O Governo destaca “o processo de reequilíbrio das contas externas e a sua recomposição, num sentido que lhe confere maior resiliência, e o aumento do peso das exportações no PIB em +16 p.p. desde 2005”. A agência considera que as condições de crédito em Portugal convergiram para a média da zona euro, em simultâneo com a diminuição “substancial” do endividamento das empresas e das famílias, diz o gabinete de Mário Centeno.

A agência de notação financeira Standard & Poor’s subiu hoje o rating da dívida pública portuguesa de BBB-/A-3 para BBB/A-2, dois níveis acima do grau de investimento especulativo, atribuindo-lhe uma perspetiva estável. Recorde-se que no passado dia 15 de setembro de 2017 a S&P tirou Portugal de lixo ao lhe dar um rating de BBB- (o pior dos ratings investment grade) e hoje melhorou o rating.

“Esta decisão reflete o reconhecimento de importantes transformações estruturais na economia nacional e da melhoria das contas públicas. Trata-se de uma decisão que contribui para reforçar a confiança dos investidores e a credibilidade externa de Portugal, com impacto direto nos custos de financiamento das famílias, das empresas e do Estado”, diz o Ministério das Finanças.

No plano económico, “destaca-se o processo de reequilíbrio das contas externas e a sua recomposição, num sentido que lhe confere maior resiliência, e o aumento do peso das exportações no Produto Interno Bruto (PIB), em +16 p.p. desde 2005”.

“A agência considera que as condições de crédito em Portugal convergiram para a média da zona euro, em simultâneo com uma  diminuição substancial do endividamento das empresas e das famílias”, realça o gabinete de Mário Centeno.

Hoje a S&P pôs o crédito público numa posição de ativo de investimento de qualidade, e pôs Portugal a distanciar-se do clube dos países BBB- (onde está por exemplo a Roménia e a Índia), e colou-o ao clube dos países médios em termos de rating, como é o caso de Itália.

“O processo de consolidação orçamental tem sido uma prioridade da política económica e baseado no crescimento económico, na diminuição dos encargos com os juros e na contenção da despesa”, assegura o ministério de Centeno.

A S&P sustenta a sua decisão com base na melhoria das contas externas, ajudadas pelas exportações, mas avisa que dívida pública continua muito elevada, apesar de ter caído.

Já Centeno defende que “o excedente orçamental primário alcançado em 2018 (estimado em cerca de 3%, um dos maiores da OCDE) coloca o rácio da dívida pública numa trajetória descendente”.

“Estima-se que em 2019 se reduzirá o défice orçamental em 0,2 a 0,3 p.p. do PIB, o que dá credibilidade à trajetória orçamental futura”, acrescenta.

As Finanças realçam que a “economia portuguesa cresce há 22 trimestres, num processo de convergência com a zona euro que se verifica desde 2017 e que se deverá manter nos próximos anos”, disse.

O Governo diz ainda que o crescimento do PIB “tem sido acompanhado de um forte crescimento do emprego (foram criados mais 320 mil empregos desde o início da legislatura) e da redução do desemprego (redução de 285 mil desde o início da legislatura) num cenário de equilíbrio das contas externas”.

“A República Portuguesa financiou-se esta semana com as taxas de juro mais baixas de sempre, num cenário de convergência com as taxas praticadas para a dívida pública de Espanha e de aumento do diferencial face a Itália”, adiantam.

O Governo diz que “Portugal tem vindo a fazer um caminho que lhe permitiu reforçar a resiliência da economia e das contas públicas, construindo bases sólidas para um crescimento equilibrado” e que “os resultados alcançados são de extrema importância dados os desafios que se antecipam para o futuro, num contexto de incerteza política e de deterioração do ambiente económico global”.

“O Governo está comprometido em preservar este caminho, por considerar ser o melhor garante de crescimento sustentável, inclusivo e criador de emprego de qualidade”, conclui o Ministério de Mário Centeno.

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