Em entrevista à Bloomberg, o presidente executivo da Mota-Engil SGPS, Carlos Mota Santos, afirma que África continuará a ser o principal motor de crescimento da maior empresa de construção portuguesa nos próximos anos, graças aos grandes projetos de infraestruturas em países produtores de energia.
A empresa portuguesa espera receber um impulso do projeto de gás natural liquefeito da TotalEnergies SE em Moçambique, no valor de 20 mil milhões de dólares, que deverá retomar as operações até ao final deste ano, afirmou o CEO Carlos Mota Santos.
O CEO disse que o reinício da fábrica de GNL em Moçambique resultará num “fluxo muito interessante de projetos futuros para a Mota-Engil no país africano”. Mas não deu mais detalhes à agência noticiosa.
Recorde-se que o Presidente moçambicano, Daniel Chapo, disse em julho que espera concluir em breve as negociações com a TotalEnergies SE sobre o reinício de um projecto de gás natural de 20 mil milhões de dólares que foi interrompido há quatro anos por causa de uma insurgência ligada ao Estado Islâmico.
“Estou muito otimista em relação a África” disse Carlos Mota Santos numa entrevista à Bloomberg, acrescentando que “esperamos continuar a crescer em África, especialmente na Nigéria, Angola e Moçambique”.
A Mota-Engil anunciou na quarta-feira que a sua carteira de encomendas atingiu um valor recorde de 14,7 mil milhões de euros (17 mil milhões de dólares) no primeiro semestre, com África a representar mais de um terço da carteira.
A carteira de encomendas da empresa deverá subir para entre 15 mil milhões e 16 mil milhões de euros até ao final deste ano, revelou Carlos Mota Santos.
Os projetos da Mota-Engil em África incluem uma linha ferroviária de 1,8 mil milhões de dólares na Nigéria, o projeto ferroviário do corredor de Lobito em Angola e instalações marítimas para a TotalEnergies em Moçambique.
Para já, a Mota-Engil está a negociar com a TotalEnergies uma atualização dos projetos que foram suspensos há quatro anos devido aos ataques dos rebeldes na região.
“Estamos a renegociar com a Total uma atualização dos preços porque estão desatualizados e precisamos de uma compensação pela paralisação”, disse o CEO da Mota-Engil à Bloomberg, acrescentando que “já estamos na fase final”.
A Mota-Engil espera ainda que os projetos em Portugal — incluindo novos concursos para a construção de uma ferrovia de alta velocidade — sejam retomados após as eleições antecipadas no início deste ano.
As ações da Mota-Engil subiram 70% até ao momento em 2025, o maior ganho entre as 15 empresas que compõem o índice de referência PSI de Lisboa. As ações subiram mesmo com alguns hedge funds a apostar contra as ações.
O CEO, cuja família fundou a construtora em 1946, disse que as ações da empresa valem “muito mais” do que o seu valor atual e prometeu continuar a reduzir a dívida e a aumentar a rentabilidade.
“É isso que temos de entregar aos nossos acionistas e stakeholders para provar que a empresa vale mais”, concluiu Carlos Mota Santos
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